Salários acima da média não são suficientes para preencher vagas

Goianésia- As constantes transformações no mercado de trabalho têm exigido adaptação de profissionais e empresas diante das novas demandas produtivas e do avanço da tecnologia. Em cidades do interior, como Goianésia, esse cenário também evidencia desafios específicos, entre eles a escassez de trabalhadores em áreas consideradas essenciais para a economia regional.

O gestor empresarial Manoel Messias afirma que, atualmente, algumas profissões técnicas apresentam alta demanda, mas enfrentam dificuldades para atrair novos profissionais.

“Hoje, temos profissões que exigem uma formação técnica mais aprofundada e que, muitas vezes, não conseguem atrair novos trabalhadores. Podemos citar, por exemplo, as áreas de operação e manutenção industrial, que incluem mecânico de máquinas, mecânico industrial, eletricista e borracheiro. São funções que demandam muitos profissionais em Goianésia e Barro Alto, mas faltam trabalhadores, mesmo com salários acima da média estadual”, explica.

Segundo ele, a falta de interesse por determinadas carreiras contribui para o problema, apesar da existência de cursos gratuitos e programas de qualificação oferecidos por instituições e pelas próprias empresas.

“Muitas vezes, isso acontece por falta de interesse das pessoas, porque diversos cursos são oferecidos gratuitamente. Programas de qualificação e educação continuada também existem, e até as próprias empresas proporcionam essas oportunidades para a comunidade”, destaca.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que setores ligados à indústria e aos serviços técnicos enfrentam dificuldades para preencher vagas em diversas regiões do país, mesmo com a oferta de capacitação profissional. Esse descompasso entre a demanda das empresas e as escolhas profissionais ajuda a explicar a carência de mão de obra qualificada.

Para Manoel Messias, parte dessa realidade está relacionada à falta de alinhamento entre a formação escolhida e as necessidades do mercado.

“Muitas vezes, as pessoas seguem caminhos que o mercado não consegue absorver. Então surge esse sentimento de frustração e incapacidade, mas isso é, basicamente, resultado da falta de leitura sobre as demandas do mercado”, avalia.

O gestor também observa que a evolução tecnológica e a expansão da inteligência artificial vêm alterando o perfil das vagas disponíveis, especialmente nas áreas administrativas.

“A tecnologia, a inteligência artificial e os softwares têm a tendência de reduzir a quantidade de cargos administrativos. Se eu tenho um auxiliar administrativo, um assistente ou um analista que domina diversas ferramentas, ele consegue dar suporte às áreas contábil e comercial, reduzindo a necessidade de mais pessoas dentro da empresa”, afirma.

Nesse contexto, habilidades comportamentais ganham cada vez mais relevância nos processos de contratação e desenvolvimento profissional. Entre elas, a capacidade de comunicação aparece como um dos principais diferenciais.

“Mesmo que hoje existam muitas máquinas realizando serviços de embalagem e produção, essas pessoas continuarão sendo necessárias na limpeza, na manutenção e em outras atividades. Uma habilidade muito valorizada atualmente é a comunicação”, observa.

Ele acrescenta que profissionais com boa comunicação oral e escrita tendem a encontrar mais oportunidades de crescimento e recolocação no mercado.

“O profissional que se comunica bem, tanto na escrita quanto na fala, tem mais facilidade para se recolocar. Isso vale para áreas como vendas, liderança e gestão de pessoas”, pontua.

Manoel Messias também destaca que a comunicação se tornou estratégica dentro das organizações, especialmente em empresas de médio e grande porte.

“Goianésia conta com muitas empresas em que os proprietários não estão presentes no dia a dia acompanhando tudo o que acontece. Essa interface entre a gestão, a diretoria e as equipes é fundamental para gerar oportunidades e resultados para os profissionais”, conclui.

Diante desse cenário, especialistas apontam que a compreensão das tendências do mercado e o investimento em qualificação alinhada às demandas das empresas são fatores fundamentais para ampliar oportunidades e reduzir os impactos das mudanças no mundo do trabalho.