Estímulos sonoros ativam diferentes áreas do cérebro

Goianésia-Presente em diferentes momentos da vida, a música vai além do entretenimento e exerce impactos significativos sobre o cérebro e o comportamento humano. Capaz de despertar emoções, estimular recordações e contribuir para o aprendizado, ela acompanha experiências pessoais e se torna parte da construção da memória afetiva de cada indivíduo.

O músico Victor Gabriel explica que a relação entre determinadas canções e lembranças marcantes acontece devido à forma como o cérebro registra informações e emoções vividas em cada momento.

“Eu acho que todo mundo já passou por um momento em que escutou uma música e, imediatamente, veio uma lembrança, uma recordação de alguma fase da vida ou até mesmo de uma pessoa em específico. Isso não acontece por acaso. Sempre que você passa por alguma situação e há uma música tocando naquele momento, o nosso cérebro grava tudo junto: o som, o sentimento e a situação que está sendo vivida. No futuro, todas as vezes que você escutar essa música, ela vai funcionar como um gatilho, trazendo toda aquela memória de volta”, explica.

Segundo ele, essa associação ajuda a entender por que determinadas canções despertam emoções tão diferentes entre as pessoas.

“É por isso que tem música que traz saudade de algum momento, tem música que arrepia e tem música que traz ânimo. A música é realmente um sentimento”, afirma.

Estudos na área da neurociência mostram que a música estimula simultaneamente diversas regiões cerebrais ligadas à memória, às emoções, à atenção e à coordenação motora. Esse conjunto de estímulos favorece processos de aprendizagem e desenvolvimento cognitivo em diferentes fases da vida.

Para Victor Gabriel, os benefícios são ainda mais evidentes durante a infância, período em que o cérebro está em constante formação.

“A música também tem um papel importantíssimo no desenvolvimento, principalmente das crianças, porque ajuda na memória, na coordenação motora e na criatividade. Crianças que têm contato com a música desde cedo desenvolvem várias áreas do cérebro ao mesmo tempo. Esse papel é fundamental para o crescimento infantil”, destaca.

Além dos efeitos relacionados ao aprendizado, a prática musical também pode contribuir para o bem-estar emocional e para a redução do estresse.

“Para quem faz música, ela também funciona como uma terapia. Às vezes, o músico não está tendo um dia muito bom ou está passando por uma situação difícil e, quando pega o instrumento para tocar ou cantar, aquilo traz uma sensação de calma. No fim das contas, a música não é apenas algo que a gente ouve. Ela sempre vai carregar algum sentimento ou alguma memória”, relata.

Ao despertar lembranças, favorecer a concentração e proporcionar momentos de relaxamento, a música mantém sua relevância como uma das formas de expressão mais presentes na experiência humana, conectando emoções, histórias e vivências ao longo da vida.