Criminosos utilizam tecnologia e histórias falsas para enganar pessoas

Goianésia - Com o avanço das tecnologias e a popularização dos serviços digitais, criminosos têm diversificado as estratégias utilizadas para aplicar golpes e obter vantagens financeiras ou acesso a informações pessoais. Em Goiás, um dos casos mais recentes levou o Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) a emitir um alerta sobre páginas falsas que prometem inscrições em programas de CNH gratuita, mas acabam cobrando valores indevidos e captando dados dos usuários.

Outro episódio que ganhou repercussão nacional envolve uma mulher presa em Santa Catarina, suspeita de se passar por uma adolescente nas redes sociais para conquistar a confiança de famílias e obter benefícios financeiros. Segundo as investigações, ela já havia passado por Goiás e atuado em outros estados.

Em entrevista exclusiva à RVC FM, durante o quadro "De Olho no Golpe", o delegado Marco Antônio Maia, titular da Delegacia de Polícia Civil de Barro Alto, detalhou os principais riscos e orientou a população sobre como evitar cair em fraudes.

Programas sociais são utilizados como isca pelos criminosos

De acordo com o delegado, sempre que algum programa governamental ganha repercussão, os golpistas tentam se aproveitar da situação para enganar a população.

Marco Antônio Maia explicou que o programa CNH Social existe e é oferecido em diversos estados, inclusive em Goiás. Entretanto, ressaltou que o benefício é totalmente gratuito e não exige qualquer pagamento por parte do candidato.

Segundo ele, os criminosos enviam links falsos e, após a vítima preencher os dados, passam a exigir transferências via Pix, geralmente entre R$ 600 e R$ 700, utilizando a falsa promessa de obtenção da carteira de habilitação sem custos.

O delegado alertou que, além da cobrança indevida, os criminosos podem utilizar as informações fornecidas pelas vítimas em golpes futuros.

Páginas fraudulentas imitam os sites oficiais

Outro ponto destacado pelo delegado é o elevado nível de sofisticação dos golpistas. Segundo ele, as páginas fraudulentas reproduzem praticamente todos os elementos visuais dos órgãos públicos, incluindo logotipos e layouts.

A principal diferença, conforme explicou, está no endereço eletrônico, que normalmente apresenta pequenas alterações difíceis de serem percebidas por usuários menos experientes.

Por isso, Marco Antônio Maia orienta que as pessoas jamais acessem links recebidos por mensagens e façam a pesquisa diretamente nos canais oficiais.

Ele também recomenda buscar informações adicionais na internet e, em caso de dúvidas, entrar em contato diretamente com os órgãos responsáveis.

Banco Central dispõe de ferramenta para recuperar recursos

Mesmo com a disseminação de informações, muitas pessoas acabam se tornando vítimas das fraudes virtuais. Nesses casos, o delegado explica que é fundamental agir rapidamente.

Segundo Marco Antônio Maia, o primeiro procedimento é utilizar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central e disponível nos aplicativos das instituições financeiras.

A ferramenta permite contestar transferências realizadas em situações de fraude e, em determinados casos, possibilita o bloqueio dos recursos.

O delegado também recomenda preservar todos os elementos relacionados ao crime, como comprovantes, boletos, dados bancários e informações dos sites acessados, além de registrar ocorrência na Polícia Civil para auxiliar nas investigações.

Detran disponibiliza canais oficiais de atendimento

Durante a entrevista, foram reforçados os canais oficiais do Detran Goiás para atendimento à população.

O órgão disponibiliza o telefone 154 para informações gerais. Também está disponível a Central de Atendimento, pelo número (62) 3269-8800, destinada ao esclarecimento de dúvidas e orientações sobre os serviços oferecidos.

Mulher presa em Santa Catarina chegou a atuar em Goiás

Outro caso comentado pelo delegado foi o de uma mulher de 37 anos presa em Joinville, em Santa Catarina, suspeita de se passar por uma adolescente de 12 anos.

Segundo Marco Antônio Maia, ela utilizava relatos de abusos, doenças e dificuldades pessoais para despertar empatia e criar vínculos emocionais com as vítimas.

Em um dos episódios, a suspeita permaneceu por cerca de 14 meses convivendo com uma família, que chegou a tratá-la como filha e a fornecer apoio financeiro.

As investigações apontam que a mulher já havia sido presa anteriormente no Rio de Janeiro por fatos semelhantes. Em Goiás, ela também chegou a ser identificada ao procurar atendimento em uma unidade hospitalar infantil, alegando ter apenas 12 anos. A situação levantou suspeitas dos profissionais de saúde, que acionaram a polícia.

Defesa pede exame de sanidade mental

Na avaliação do delegado, o comportamento apresentado pela suspeita chama a atenção pela complexidade e pela duração das histórias criadas.

Por esse motivo, a defesa solicitou a realização de exame de sanidade mental. Marco Antônio Maia acredita que a mulher possa apresentar algum transtorno relacionado à identidade, hipótese que deverá ser avaliada pelas autoridades competentes.

Inteligência artificial amplia desafios no combate às fraudes

O delegado também destacou que a inteligência artificial tem sido utilizada por criminosos para produzir vídeos e imagens cada vez mais realistas.

Segundo ele, atualmente existem casos em que os golpistas conseguem simular videochamadas e reproduzir a aparência e a voz de outras pessoas, tornando a fraude mais difícil de ser identificada.

Diante desse cenário, Marco Antônio Maia afirma que a cautela e a busca por informações confiáveis continuam sendo as principais formas de prevenção.

“O nível de sofisticação assusta. Hoje, não se pode confiar cegamente nem mesmo em vídeos. A paciência e a verificação das informações são fundamentais para evitar prejuízos”, alertou.

Delegado faz apelo por mais prudência no trânsito

Ao encerrar a entrevista, o delegado aproveitou para fazer um alerta sobre os recentes acidentes registrados em Goianésia.

Segundo ele, a falta de paciência no trânsito tem contribuído para a perda de vidas, especialmente de jovens.

Marco Antônio Maia ressaltou que alguns minutos a mais no deslocamento não justificam atitudes imprudentes e defendeu que motoristas e motociclistas adotem uma postura mais cautelosa para preservar vidas.