Goianésia - A presença feminina no agronegócio brasileiro tem se tornado cada vez mais expressiva. Em Goiás, produtoras rurais vêm assumindo funções estratégicas nas propriedades, participando das decisões administrativas, financeiras e operacionais, além de liderarem equipes e acompanharem de perto todas as etapas da produção no campo.
O movimento reflete uma mudança cultural observada nos últimos anos e evidencia o fortalecimento da liderança feminina em um setor historicamente associado aos homens. Atualmente, mulheres ocupam diferentes funções ligadas às atividades agropecuárias e contribuem diretamente para o desenvolvimento das propriedades rurais.
Desafios do campo são comuns a homens e mulheres
A produtora rural Maria Beatriz Ricci, que administra a própria fazenda, afirma que os principais desafios enfrentados na pecuária estão relacionados às oscilações do mercado e às dificuldades para obtenção de insumos, situações que atingem igualmente homens e mulheres.
Segundo ela, o fato de ser mulher nunca representou um obstáculo para a condução das atividades.
“As maiores dificuldades enfrentadas pelas mulheres dentro da pecuária, na minha percepção, são as mesmas enfrentadas pelos homens. A oscilação do mercado e a dificuldade para conseguir insumos são alguns exemplos. Não vejo outras situações que tragam uma diferença significativa apenas pelo fato de eu ser mulher”, afirma.
Gestão da propriedade é conduzida pela produtora
Maria Beatriz destaca que toda a administração da fazenda é realizada por ela, desde a gestão financeira até as negociações comerciais.
“Os colaboradores recebem ordens diretamente de mim e nunca questionaram ou fizeram qualquer comentário pelo fato de eu ser mulher. Toda a administração e a gestão da fazenda são feitas por mim. Sou responsável pelas compras e pelas vendas. Estou nesse ambiente e, até o momento, não encontrei qualquer dificuldade relacionada ao fato de ser mulher”, relata.
Participação feminina avança no agronegócio brasileiro
Dados do último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que as mulheres já administram cerca de 30 milhões de hectares em propriedades rurais no país.
O crescimento da participação feminina também pode ser observado em atividades tradicionalmente associadas aos homens, como o manejo do gado e os serviços realizados no curral.
Mudança cultural se intensificou nos últimos anos
Com cerca de dez anos de atuação na pecuária, Maria Beatriz avalia que o cenário atual é diferente daquele observado há duas décadas e afirma que não enfrentou barreiras relacionadas ao gênero desde que passou a atuar no setor.
“Talvez, há 20 anos, essa realidade fosse diferente, mas minha entrada na pecuária é recente. Há praticamente dez anos estou nesse segmento e, desde então, nunca tive dificuldade. Recebo na fazenda consultores homens e mulheres e sempre fui tratada com naturalidade”, destaca.
Conhecimento e capacitação superam barreiras
A produtora acredita que a participação feminina nas atividades operacionais depende da disposição em aprender e desenvolver as técnicas necessárias para cada função.
“Nunca precisei contratar uma mulher para atuar como vaqueira ou em atividades que exigem força e conhecimento específico. Mas acredito que, se ela quiser desempenhar esse trabalho, vai aprender as técnicas necessárias para lidar com o gado. Eu mesma não sabia nada quando comecei e, hoje, vou para o curral e trabalho junto com os colaboradores”, afirma.




