Operação mobilizou mais de 100 policiais civis

Goianésia-A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta quinta-feira (21), a Operação Pacto Oculto para investigar um suposto esquema de corrupção dentro da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). Segundo as investigações, servidores públicos cobravam propina para acelerar e aprovar pagamentos irregulares de diferenças salariais a funcionários da estatal.

A operação cumpriu 55 medidas judiciais em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Trindade. Entre as ações estão mandados de prisão temporária, buscas e apreensões, afastamento de servidores públicos e quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 3,5 milhões em bens.

De acordo com a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), o esquema funcionava desde 2022 e envolvia pedidos administrativos relacionados a diferenças salariais apresentadas por empregados da companhia, muitos alegando supostos desvios de função.

As investigações apontam que servidores ligados aos setores de protocolo e jurídico da Comurg facilitavam a tramitação dos processos e autorizavam pagamentos sem a documentação necessária. Em troca, cobravam uma espécie de “rachadinha”, ficando com cerca de 60% dos valores recebidos pelos beneficiários.

Ao menos 35 acordos extrajudiciais considerados fraudulentos foram identificados. Segundo a Polícia Civil, o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a aproximadamente R$ 13 milhões.

Durante a operação, policiais apreenderam celulares, computadores, documentos e equipamentos eletrônicos que passarão por perícia para rastrear a movimentação financeira e identificar outros possíveis envolvidos no esquema. Ao todo, 105 policiais civis participaram da ação.

Os investigados poderão responder por crimes como peculato, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Em nota, a Comurg informou que as irregularidades investigadas ocorreram em gestões anteriores e que a atual administração identificou indícios de fraudes em processos administrativos. Segundo a companhia, as apurações internas começaram em janeiro deste ano, por determinação do prefeito Sandro Mabel, e as informações foram encaminhadas à Polícia Civil, ao Ministério Público e à OAB-GO.

A estatal afirmou ainda que instaurou 39 procedimentos internos de investigação, dos quais 30 já foram concluídos. Como resultado das apurações administrativas, 11 funcionários foram demitidos após comprovação de irregularidades. A empresa declarou que segue colaborando com os órgãos de controle e investigação.