Debate sobre mobilidade urbana reforça necessidade de mudanças no comportamento dos condutores

Goianésia - Os acidentes de trânsito seguem entre os principais desafios de saúde pública e segurança viária no Brasil. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que, a cada dois minutos, uma vítima de acidente é atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em diferentes regiões do país. O levantamento reforça a preocupação com os impactos sociais, econômicos e humanos provocados pelos sinistros nas vias urbanas e rodovias brasileiras.

Além das mortes e sequelas deixadas às vítimas e familiares, os acidentes também provocam sobrecarga no sistema público de saúde, elevando gastos com internações, cirurgias, tratamentos e reabilitação. Especialistas defendem que a redução desses índices depende de investimentos em educação no trânsito, fiscalização, infraestrutura viária e políticas públicas voltadas à mobilidade urbana.

O perito criminal especializado em trânsito, Antenor Pinheiro, destacou que a violência nas vias está diretamente relacionada à forma como os municípios organizam suas políticas de mobilidade e segurança viária.

“A violência no trânsito está diretamente ligada à qualidade da política de mobilidade do município. É necessário que o órgão de trânsito local execute políticas públicas voltadas para melhorar e racionalizar a circulação de veículos e pedestres. Um dos elementos mais importantes desse planejamento é um programa de redução da mortalidade no trânsito”, afirmou.

Segundo o especialista, o Brasil já possui programas nacionais voltados à redução da acidentalidade, mas muitas iniciativas ainda precisam ser fortalecidas e ampliadas.

“O Brasil possui um programa editado por lei federal, válido para União, estados e, principalmente, municípios. Existem programas viáveis que estão dando certo e reduzindo a acidentalidade, vinculados ao plano global de segurança viária”, explicou.

Entre os principais fatores associados aos acidentes estão excesso de velocidade, consumo de álcool, uso do celular ao volante e desrespeito às normas de circulação. O levantamento também aponta que adultos entre 20 e 39 anos concentram a maior parte das ocorrências atendidas pelo SUS.

O especialista em gestão, educação e segurança no trânsito, Hermes Gonçalves, afirmou que o enfrentamento do problema exige uma atuação integrada entre conscientização, engenharia viária e fiscalização.

“Não podemos ter uma visão fragmentada do trânsito. A mobilidade urbana precisa ser analisada de forma ampla, contemplando educação para o trânsito, ações educativas, conscientização da população, dos condutores e também dos pedestres”, ressaltou.

Hermes Gonçalves destacou ainda que a redução dos acidentes depende de um conjunto de medidas permanentes.

“A gente fala que existe um tripé essencial: educação para o trânsito, engenharia de tráfego adequada e fiscalização. Primeiro, é necessário conscientizar e oferecer sinalização adequada. Depois, se o condutor insistir em cometer infrações, entra a atuação dos agentes de trânsito para punir esses maus condutores”, afirmou.

Além dos impactos humanos, os acidentes também geram custos elevados aos cofres públicos. Somente em 2025, mais de R$ 350 milhões foram destinados pelo SUS para internações relacionadas a acidentes de trânsito em todo o país.

A médica Rosa Steckelberg alertou para a necessidade urgente de fortalecer políticas públicas capazes de reduzir os índices de violência no trânsito e minimizar os prejuízos ao sistema de saúde.

“É urgente pensar em políticas públicas que envolvam saúde pública, mobilidade urbana e trânsito para resolver esse problema, que gera custos financeiros para o SUS, para as pessoas e, principalmente, perdas que não podem ser medidas, que são as vidas humanas”, destacou.

Ela também lembrou que grande parte dos acidentes ocorre em vias urbanas, o que amplia a necessidade de investimentos em sinalização, fiscalização e campanhas educativas.

Especialistas defendem que campanhas permanentes de conscientização, melhoria da infraestrutura viária, reforço da fiscalização e investimentos em educação para o trânsito seguem entre as principais estratégias para reduzir os índices de acidentes no Brasil. Atualmente, o país permanece entre os que registram altos números de mortes no trânsito na América Latina, mantendo o tema como uma das principais preocupações ligadas à saúde pública e à segurança nas vias.