Inflação e alta do custo de vida ampliam risco de insolvência

Goianésia-Um levantamento da empresa de pesquisas NielsenIQ (NIQ) revelou que quase 75% das famílias brasileiras estão desconfortáveis com a própria situação financeira. Dentro desse grupo, mais da metade afirma estar no limite da insolvência, conseguindo ainda pagar as contas, mas com o orçamento cada vez mais apertado.

Os dados fazem parte da pesquisa Homescan 2025, considerada uma das mais tradicionais do setor de consumo, realizada com 8,2 mil lares brasileiros. O estudo também integra um banco global de informações coletadas em 25 países.

Segundo o levantamento, cerca de um quinto das famílias brasileiras já enfrenta endividamento ou atraso no pagamento de contas. Entre os lares nessa condição, aproximadamente 25% estão concentrados no Nordeste, região que apresentou retração de consumo acima da média nacional nos últimos meses.

O diretor de insights para a indústria da NIQ, Gabriel Fagundes, afirmou que o cenário reflete diretamente a perda de capacidade de consumo das famílias da região.

“Existe uma maior representatividade do Nordeste entre os lares mais impactados financeiramente. Isso acompanha a retração do consumo observada na região nos últimos 15 meses”, explicou.

Em contrapartida, cerca de 25% dos domicílios brasileiros afirmaram viver uma situação financeira considerada confortável. Os maiores percentuais foram registrados na região Sul e nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, áreas onde o poder de consumo permanece acima da média nacional.

Apesar disso, apenas 1% dos lares entrevistados declarou estar “muito confortável” financeiramente.

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes, avalia que a combinação entre inflação alimentar, aumento da inadimplência e alta no custo de vida vem afetando principalmente as famílias de menor renda.

“O aumento dos combustíveis impacta diretamente a população mais pobre. Mesmo quem não possui veículo sente os efeitos, porque a maior parte dos alimentos consumidos no país é transportada por caminhões”, destacou.

Dados preliminares do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, mostram que o rendimento médio mensal nas regiões Norte e Nordeste permanece abaixo da média nacional. Enquanto a média brasileira é de R$ 2.851, o rendimento médio é de R$ 2.238 no Norte e de R$ 2.015 no Nordeste.

Outro levantamento, baseado na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, apontou que cinco dos dez estados com menor crescimento nas vendas do comércio em volume estão localizados nas regiões Norte e Nordeste.

A pesquisa também relaciona o aumento das dificuldades financeiras à alta recente nos combustíveis. Entre março e maio, o diesel S10 acumulou alta de 17,1%, enquanto o diesel comum subiu 15,1%. Já a gasolina comum teve aumento de 5,7%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Especialistas apontam que o cenário econômico segue pressionando o orçamento doméstico, principalmente entre famílias de renda mais baixa, que destinam parcela maior da renda à alimentação, transporte e despesas essenciais.