Goianésia- Entre 2011 e 2025, o Brasil registrou mais de 308 mil casos de violência sexual contra meninas de até 17 anos. Isso representa uma média de 64 vítimas por dia. Somente neste ano, já foram mais de 45 mil notificações, o equivalente a cerca de 3,8 mil casos por mês, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero.
O levantamento mostra que os casos cresceram quase 30% na última década. A única queda ocorreu em 2020, durante a pandemia, período em que especialistas acreditam que muitas vítimas não conseguiram denunciar. Em 2023, foi registrado o maior aumento da série histórica, tendência que continuou em 2024.
Os dados também revelam que a maioria dos abusos acontece dentro de casa ou é praticada por pessoas próximas das vítimas. Pais, mães, padrastos e irmãos aparecem entre os agressores mais frequentes. A vice-presidente da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB Goiás, Danielle Nava, destaca que a ideia de que os crimes são cometidos, na maior parte dos casos, por desconhecidos não corresponde à realidade.
“Uma pesquisa recente aponta que 85% dos casos acontecem no núcleo familiar. Cerca de 64% são praticados pela própria família e outros 18% por pessoas próximas ou conhecidas da vítima. Menos de 10% envolvem pessoas estranhas. Por isso, é importante trabalhar a conscientização das crianças sobre o próprio corpo e sobre os limites do toque, inclusive dentro do ambiente familiar”, afirmou.
A especialista alerta para sinais que podem indicar situações de abuso, como mudanças no comportamento, isolamento, medo de permanecer perto de determinadas pessoas e alterações emocionais. Danielle Nava reforça que acolher e acreditar no relato da criança é o primeiro passo para interromper a violência.
“É fundamental acreditar na criança. Não se deve minimizar o relato ou questionar de forma que ela se sinta desacreditada. Mudanças de comportamento, afastamento de determinadas pessoas e até sintomas físicos e emocionais podem ser sinais importantes de que algo está acontecendo”, destacou.
Crianças e adolescentes aparecem como o segundo grupo mais atingido pela violência sexual no país. Em 2024, para cada menino vítima de estupro, houve cinco meninas vitimadas. O relatório alerta ainda que os números reais podem ser maiores, devido à subnotificação.
Casos suspeitos ou confirmados podem ser denunciados gratuitamente e sem necessidade de identificação por meio do Disque 100, canal que funciona 24 horas por dia.




