Goianésia-O avanço do período de estiagem em Goianésia e municípios da região já começa a provocar aumento no número de ocorrências de incêndios ambientais atendidas pelo Corpo de Bombeiros. A combinação entre vegetação seca, baixa umidade do ar e altas temperaturas favorece a rápida propagação do fogo, principalmente em áreas de vegetação, terrenos baldios e propriedades rurais.
Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Ary Bernardo Dutra, os primeiros sinais do agravamento das condições climáticas já foram identificados ainda no mês de maio.
“Em meados do mês de maio, já notamos algumas mudanças significativas, o que aumenta a probabilidade de ocorrências de incêndios em vegetação e queimadas. O Corpo de Bombeiros já tem sido acionado para atender algumas ocorrências de incêndio em vegetação”, afirmou.
De acordo com o comandante, a expectativa é de que o cenário se intensifique ao longo do segundo semestre, período historicamente marcado pelo aumento das queimadas em Goiás.
“Nossa expectativa, infelizmente, é que os números aumentem significativamente, até mesmo porque a previsão da meteorologia indica alta probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, com ondas de calor mais frequentes e umidade relativa do ar cada vez mais baixa”, explicou.
Fumaça e fuligem afetam saúde da população
Além dos danos à vegetação e ao meio ambiente, os incêndios também provocam impactos diretos na saúde da população. A fumaça e a fuligem liberadas pelas queimadas agravam problemas respiratórios, principalmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
O tenente-coronel relata que as reclamações relacionadas à fumaça já começaram a aumentar junto aos canais de emergência do Corpo de Bombeiros.
“Nós observamos, por meio das ocorrências e das ligações recebidas no número 193, um incômodo muito grande da população com relação à fumaça, à fuligem e às cinzas que essas queimadas provocam. Isso atrapalha a qualidade do ar e da respiração”, disse.
Segundo ele, os efeitos são sentidos principalmente por pessoas mais vulneráveis.
“Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios ou doenças crônicas ficam bastante incomodadas com isso. A fumaça e a fuligem causam muitos transtornos dentro das moradias”, comentou.
Queimadas provocadas por ação humana preocupam bombeiros
Grande parte dos incêndios registrados nesta época do ano tem origem em ações humanas, como limpeza de lotes utilizando fogo, queima de lixo e descarte irregular de bitucas de cigarro às margens de rodovias e áreas de vegetação.
O comandante alerta que muitas pessoas perdem o controle das chamas após iniciarem queimadas aparentemente pequenas.
“O incêndio só acontece porque alguém foi lá e ateou fogo. Muitas vezes, a pessoa tenta fazer a limpeza de um terreno ou queimar uma área de vegetação e perde o controle da situação. Com vento forte, baixa umidade e vegetação seca, o fogo se propaga rapidamente”, afirmou.
Segundo Ary Bernardo Dutra, além do risco à população e ao patrimônio, a prática pode gerar responsabilização criminal.
“Isso é um hábito irregular, ilegal e, muitas vezes, um crime ambiental. A pessoa pode ser enquadrada na Lei de Crimes Ambientais e responder criminalmente por isso”, alertou.
Corpo de Bombeiros orienta população
A recomendação do Corpo de Bombeiros é que a população evite qualquer tipo de queimada durante o período seco e acione imediatamente o telefone 193 ao identificar focos de incêndio.
A corporação também orienta moradores a denunciarem queimadas irregulares e reforça que a prevenção é a principal forma de evitar grandes incêndios ambientais durante os meses mais críticos da estiagem.




