Criança enviou pedido de ajuda à família antes da denúncia

Goianésia-Após cerca de dois meses de buscas, a Polícia Civil de Goiás localizou e prendeu um homem de 74 anos investigado por estupro de vulnerável em Goianésia. O suspeito foi encontrado em uma fazenda na região do Pica-Pau, onde estava trabalhando no momento da abordagem policial.

Em entrevista exclusiva à RVC FM, o delegado Álvaro Rodrigo afirmou que a investigação ganhou força após a família da vítima apresentar materiais registrados pela própria criança, incluindo um vídeo e mensagens de áudio relatando os abusos. Segundo o delegado, a gravidade do conteúdo motivou a intensificação das diligências realizadas pelas equipes policiais.

“O pai da criança procurou a delegacia para informar que ela havia sido vítima de estupro de vulnerável, apresentando, inclusive, um vídeo gravado pela própria criança”.

Segundo o delegado Álvaro Rodrigo, as equipes iniciaram diligências logo após o recebimento da denúncia, tentando localizar o investigado em situação de flagrante.

“Nesse dia, eu estava responsável pelo plantão, e fomos para a rua tentar achar para fazer a prisão em flagrante”.

Os policiais identificaram o trajeto utilizado pelo suspeito durante a fuga, mas ele não foi localizado naquele primeiro momento.

“Verificamos a rota de tráfego dele, ele pegou a saída de Goianésia com destino a Barro Alto e entrou na zona rural. Tentamos localizar, mas não foi efetivo”, disse.

Após a representação da Polícia Civil, a Justiça autorizou a prisão preventiva do investigado. O delegado contou que as buscas continuaram durante semanas até a localização do suspeito.

“Depois do deferimento da representação, a gente ficou dois meses procurando ele, que realmente sumiu do mapa”, explicou.

O homem foi encontrado trabalhando em uma propriedade rural e convivendo com outra família no momento da abordagem policial. As investigações apontaram que o suspeito passou a conviver com a família da vítima após iniciar um relacionamento com a bisavó da criança.

“O autor, no ano de 2025, começou a manter relacionamento amoroso com a bisavó da criança e essa bisavó cuidava dessa menina e dos outros dois irmãos dela enquanto o pai ia para o trabalho”.

Segundo o delegado Álvaro Rodrigo, os abusos teriam começado no início deste ano.

O delegado Álvaro Rodrigo informou que o material apresentado pela família continha mensagens enviadas pela própria vítima relatando os abusos.

“O material apresentado para a gente foi uma mensagem de áudio encaminhada pela criança para a madrasta, pedindo ajuda, dizendo que não estava mais aguentando, que o autor ficava passando a mão nela, fazendo propostas obscenas de cunho sexual”, declarou.

Além do áudio, a Polícia Civil teve acesso a um vídeo registrado pela criança enquanto brincava dentro da residência.

“O vídeo apresentado mostrava a criança brincando com uma boneca. Enquanto ela transitava pela casa, o autor avançou na direção dela e passou a mão no órgão genital dela. Tudo ficou gravado”, contou.

A Polícia Civil também trabalha com a hipótese de existência de outras vítimas. A divulgação da prisão busca incentivar possíveis denúncias. Até o momento, nenhuma outra pessoa procurou a delegacia, mas as investigações continuam.

“Estamos no aguardo para ver se aparece, porque é um senhor de 74 anos, morador antigo do município, e ninguém começa a praticar crimes em certa idade”, disse.

Polícia orienta famílias a denunciarem suspeitas

O delegado Álvaro orientou pais e responsáveis a levarem denúncias às autoridades sempre que houver relatos de abuso envolvendo crianças e adolescentes.

“Deem credibilidade à fala dos seus filhos. Talvez se a criança não tivesse filmado por acaso a situação, talvez não tivessem confiado na palavra dela”.

Segundo o delegado, o inquérito policial está em fase final de conclusão e será encaminhado ao Poder Judiciário.

“Hoje só está faltando finalizar o indiciamento para encaminhar ao Poder Judiciário. Está bem materializada a conduta praticada por ele”, concluiu o delegado Álvaro Rodrigo.

A Polícia Civil autorizou a divulgação da imagem e do nome do investigado, José Rodrigues de Oliveira, com base na Lei nº 13.869/2019 e nas Portarias Normativas da DGPC. A medida visa o interesse público, possibilitando que eventuais outras vítimas do suspeito possam identificá-lo e formalizar novas denúncias.