Goianésia-O delegado Vander Coelho assumiu oficialmente o comando da 15ª Delegacia Regional de Polícia Civil (DRP), sediada em Goianésia. Ele substitui a delegada Poliana Bergamo, transferida para Anápolis após atuar por vários anos à frente da regional.
Antes de chegar a Goianésia, Vander Coelho atuava em Anápolis como titular do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH). Durante entrevista concedida à RVC FM, o novo delegado regional destacou a expectativa para a nova função, falou sobre os desafios enfrentados pela Polícia Civil e afirmou que pretende manter projetos sociais já desenvolvidos pela regional, ao mesmo tempo em que busca fortalecer as ações operacionais.
Segundo o delegado, a recepção na cidade foi positiva desde os primeiros dias de trabalho.
“A recepção foi a melhor possível. Já tínhamos recebido referências muito positivas sobre Goianésia e realmente fomos recebidos de maneira muito calorosa. A população já esteve na unidade realizando visitas e isso aumenta ainda mais nossa responsabilidade”, afirmou.
Continuidade do trabalho da gestão anterior
Vander Coelho explicou que a mudança de comando ocorreu após um pedido pessoal de transferência da delegada Poliana Bergamo para Anápolis. Ele ressaltou que a alteração não fazia parte de um planejamento inicial da direção da Polícia Civil, já que o trabalho desenvolvido na regional vinha sendo bem avaliado.
“O trabalho realizado pela doutora Poliana é reconhecido tanto pela comunidade quanto pela direção da Polícia Civil. A nossa intenção é dar continuidade ao que vinha sendo bem feito e, ao mesmo tempo, agregar experiências adquiridas ao longo da minha trajetória profissional”, destacou.
O novo delegado regional ingressou na Polícia Civil em 2009 como escrivão e se tornou delegado em 2014. Ele também atuou como delegado regional em Anápolis por quase dois anos. À frente do Grupo de Investigação de Homicídios, participou de ações que contribuíram para a redução dos índices de homicídios no município.
“Quando cheguei em Anápolis, a cidade registrava quase 200 homicídios por ano. Conseguimos reduzir esse número para 21 casos em 2024 e pouco mais de 30 em 2025. Foi um trabalho construído com muita integração entre as equipes, e acredito que essa experiência pode contribuir aqui em Goianésia”, afirmou.
Durante a entrevista, Vander Coelho elogiou a estrutura física da sede da Polícia Civil em Goianésia, localizada na Avenida Brasil, ao lado do Fórum. O prédio reúne diversas unidades policiais, como a Delegacia da Mulher, Delegacia Municipal, grupos especializados e Central de Flagrantes.
“A estrutura de Goianésia é referência no Estado. Sem dúvidas, está entre as melhores estruturas físicas disponibilizadas à Polícia Civil nas regionais goianas. Isso nos proporciona melhores condições de trabalho e representa um problema a menos para a gestão”, disse.
Déficit de efetivo é apontado como principal desafio
Apesar do reconhecimento à estrutura, o delegado ressaltou que o principal desafio da Polícia Civil atualmente é o efetivo reduzido. Segundo ele, a falta de concursos públicos nos últimos anos, somada às aposentadorias ocorridas após a reforma da Previdência, impactou diretamente o número de servidores.
“Hoje, o maior desafio é manter a fluidez do trabalho mesmo com um efetivo pequeno. Temos policiais extremamente dedicados, mas precisamos de mais profissionais para ampliar a capacidade de atendimento e especializar equipes em determinadas áreas”, explicou.
Ele informou que atualmente a regional conta com quatro delegados, sendo que apenas dois atuam diretamente em Goianésia, acumulando diferentes áreas investigativas, como crimes patrimoniais, homicídios, violência doméstica, crimes cibernéticos e proteção à criança e ao adolescente.
“O ideal é que cada delegado possa atuar com mais foco em determinadas investigações. Hoje existe acúmulo de funções, e isso exige ainda mais esforço das equipes”, pontuou.
Projetos sociais e proteção às mulheres
Ao abordar os projetos sociais desenvolvidos pela regional, Vander Coelho afirmou que pretende dar continuidade às ações implementadas pela gestão anterior, incluindo o concurso de redação voltado à conscientização sobre violência contra a mulher e os projetos de acolhimento às vítimas.
“A proteção às mulheres continua sendo uma pauta prioritária. Vamos manter o concurso de redação e também buscar aprimorar questões ligadas à sala humanizada da Delegacia da Mulher, fortalecendo o acolhimento às vítimas”, afirmou.
Integração entre forças de segurança
O delegado destacou que a integração entre as forças de segurança é um dos pontos que mais chamaram sua atenção em Goianésia.
“Aqui existe uma proximidade muito grande entre as forças policiais. Os profissionais se conhecem pessoalmente, e isso contribui para respostas mais rápidas. Tivemos um exemplo disso nesta manhã, quando um acidente fatal foi rapidamente compartilhado entre as forças antes mesmo da comunicação oficial”, relatou.
Vander Coelho também comentou sobre o combate ao tráfico de drogas, apontando o crime como uma das principais preocupações das forças de segurança em Goiás.
“O tráfico de drogas continua sendo uma grande preocupação porque está ligado a diversos crimes violentos. Precisamos manter uma atuação integrada entre Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e Polícia Rodoviária Federal para combater essas organizações”, disse.
Caso de homicídio em Anápolis
Durante a entrevista, o delegado relembrou a atuação em um caso de grande repercussão ocorrido em Anápolis, em que um jovem de 25 anos matou a própria avó, de 83 anos, para roubar dinheiro e trocar por drogas.
“Foi uma ocorrência extremamente triste. Conseguimos prender o autor rapidamente após confrontá-lo com as evidências encontradas no local. Esse caso mostra como o tráfico e o consumo de drogas acabam desencadeando crimes violentos”, afirmou.
Maio Laranja e combate à violência infantil
Outro tema abordado foi o combate à violência contra crianças e adolescentes durante a campanha Maio Laranja. O delegado destacou a importância das ações preventivas e da conscientização das famílias.
“As campanhas educativas são fundamentais. Muitas vezes, as crianças apresentam sinais que precisam ser observados pelos responsáveis. Nosso papel também é orientar e conscientizar para evitar que essas situações aconteçam”, explicou.
Ele citou ainda o trabalho desenvolvido pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), coordenada pela delegada Alana, com visitas a escolas, igrejas e ações educativas.
Vander Coelho reforçou a importância da participação da população por meio de denúncias anônimas.
“Qualquer prática criminosa pode ser denunciada pelo número 197. A identidade do denunciante é mantida em sigilo. Informações sobre tráfico de drogas, violência doméstica, maus-tratos e qualquer outro crime ajudam diretamente o trabalho investigativo”, destacou.
Expectativa por novos concursos públicos
Ao final da entrevista, o delegado agradeceu o apoio das prefeituras da região, que colaboram com a cessão de servidores administrativos e outras parcerias para auxiliar no funcionamento das unidades policiais.
“Enquanto aguardamos a realização de novos concursos públicos, essas parcerias têm sido fundamentais para garantir o funcionamento das delegacias e permitir que os policiais se dediquem integralmente às investigações”, concluiu.




