Estado já confirmou 17 ocorrências da doença em animais de produção em 2026

Goianésia - Goiás já registrou, neste ano, 17 casos de raiva em animais de produção, distribuídos em 19 focos da doença. Os dados são da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), que também contabilizou mais de 60 ações de monitoramento em abrigos de morcegos hematófagos com suspeita de circulação viral apenas no primeiro semestre de 2026.

Apesar dos registros, as autoridades sanitárias afirmam que não há indicativos de aumento da doença em relação aos anos anteriores. Ainda assim, os órgãos de fiscalização reforçam a necessidade de vigilância constante nas propriedades rurais.

O diretor de Defesa Agropecuária, Rafael Vieira, destaca que a participação dos produtores é essencial para identificar rapidamente possíveis focos da enfermidade.

“Quando o produtor percebe a presença de morcegos, animais mordidos ou sintomas suspeitos na propriedade, ele precisa acionar imediatamente a Agrodefesa. Para nós, é muito importante saber se o vírus está circulando porque, a partir dessa informação, conseguimos adotar medidas de controle”, explicou.

Segundo o órgão, os 17 casos confirmados neste ano representam aproximadamente metade dos 34 registros contabilizados ao longo de todo o ano de 2025.

Além das ocorrências em animais de produção, Goiás confirmou, em junho, um caso de raiva em um gato, o primeiro registrado desde 2022. A confirmação reforçou o alerta das autoridades de saúde sobre a necessidade da vacinação de cães e gatos, considerada a principal forma de prevenção da doença.

O coordenador-geral de Vigilância de Arboviroses e Zoonoses da Secretaria Estadual de Saúde, Fabrício Augusto de Sousa, explica que o felino foi infectado após contato com um morcego contaminado.

“Mesmo com números considerados tranquilos em relação à raiva canina e felina, é importante lembrar que existe circulação da variante transmitida por morcegos. Nesse caso específico, o gato foi agredido por um morcego, acabou infectado e, depois, atacou uma pessoa”, afirmou.

De acordo com o coordenador, a vítima procurou atendimento médico rapidamente e realizou o protocolo preventivo indicado pelas autoridades de saúde.

“Felizmente, a pessoa buscou atendimento na unidade de saúde, fez o esquema vacinal e está bem”, ressaltou.

A raiva é uma zoonose viral que compromete o sistema nervoso central dos mamíferos e possui letalidade próxima de 100% após o surgimento dos sintomas clínicos. Embora a fase final da enfermidade apresente características semelhantes entre as espécies, os sinais iniciais podem variar.

Em cães e gatos, alterações de comportamento e agressividade costumam estar entre os principais sintomas. Já nos animais de produção, os primeiros sinais geralmente incluem dificuldade de locomoção e paralisia progressiva.

Diante do risco, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal medida de proteção. A orientação é manter a vacinação dos animais em dia e comunicar imediatamente qualquer suspeita às autoridades sanitárias para evitar a disseminação do vírus.