Goianésia - A Polícia Civil concluiu o inquérito que investiga a morte da jovem Maria Eduarda de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump realizado de forma clandestina na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo. As investigações apontaram que, três meses antes do acidente fatal, a mesma equipe já havia se envolvido em outra ocorrência grave no local, quando um menino de nove anos caiu após uma falha no sistema de freio da corda.
Segundo a apuração policial, o primeiro acidente ocorreu em março, após uma falha no mecanismo de debreagem, responsável por controlar a desaceleração da queda durante o salto. O garoto participava da atividade acompanhado de integrantes do grupo "Entre Cordas", responsável pela organização dos saltos.
Acidente anterior
De acordo com depoimentos prestados à polícia, o menino saltou ao lado de um integrante da equipe. Pouco depois da queda, participantes perceberam que algo havia dado errado e encontraram a criança no chão. O pai do garoto, que também trabalhava no grupo, acompanhava a atividade no momento do acidente e foi ouvido como testemunha.
Apesar do episódio, as atividades continuaram sendo realizadas normalmente no local. Em 13 de junho, Maria Eduarda de Freitas morreu após ser lançada da ponte sem a corda de proteção presa ao corpo. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Imagens gravadas pelo celular da própria vítima confirmaram que o equipamento de segurança não estava conectado no momento do salto.
Indiciamentos e investigação
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil indiciou quatro pessoas por homicídio com dolo eventual, entendimento aplicado quando há assunção do risco de provocar a morte. Foram indiciados Evelyne dos Santos, apontada como responsável pela organização da atividade, além de Vitor de Freitas, Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff, identificados nas imagens empurrando a jovem da estrutura.
Outras duas pessoas, que haviam sido presas inicialmente, tiveram as detenções revogadas e foram liberadas.
A investigação também identificou tentativa de ocultação de provas nos dois acidentes. Testemunhas afirmaram que integrantes da equipe retiraram equipamentos de gravação logo após as ocorrências. Um dos funcionários relatou à polícia ter recebido ordens para recuperar a câmera utilizada por Maria Eduarda e apagar o vídeo do momento da queda.
Mensagens e depoimentos reunidos durante a investigação indicam que procedimento semelhante teria ocorrido após o acidente envolvendo a criança, em março. Por esse motivo, a organizadora também responderá por fraude processual.
Falhas de segurança
O relatório policial concluiu que os saltos eram realizados com desorganização operacional e ausência de medidas mínimas de segurança. Entre os problemas apontados estão a falta de isolamento adequado da área, o excesso de atividades em curto intervalo de tempo e falhas humanas na conferência dos equipamentos.
Em depoimento, integrantes responsáveis pela checagem da corda admitiram que deveriam ter verificado se o equipamento estava preso corretamente à vítima, mas afirmaram não saber explicar por que isso não ocorreu.
As investigações também apontaram que o grupo atuava há mais de um ano sem registro formal de empresa ou autorização para funcionamento.
Área interditada
Após a morte da jovem, o acesso à Ponte do Esqueleto foi bloqueado pela Secretaria do Patrimônio da União. O local recebeu cercas de arame farpado, placas de aviso, valas e barreiras de terra para impedir novas entradas e a continuidade das atividades clandestinas.
As defesas dos investigados contestam o enquadramento por homicídio com dolo eventual. Os advogados afirmam que apresentarão os argumentos durante o andamento do processo judicial.




