Goianésia-O aumento dos casos de abandono e violência contra animais domésticos tem gerado preocupação entre protetores independentes e entidades ligadas à causa animal em Goianésia. Situações envolvendo cães e gatos debilitados, sem alimentação adequada, expostos ao sol ou vítimas de agressões têm sido registradas com frequência no município, ampliando o debate sobre conscientização, responsabilidade e punição aos autores de maus-tratos.
A presidente do Instituto Pets House, Tatiana Márcia, relata que a realidade enfrentada pelas equipes de proteção animal deixou de ser algo pontual e passou a exigir mobilização constante da comunidade.
“Infelizmente, o que estamos vivendo em nosso município deixou de ser algo isolado e passou a se tornar um alerta muito sério. Em pouco tempo, vimos animais abandonados, filhotes descartados, casos de fome, doenças e sofrimento extremo”, afirmou.
Tatiana também relatou um episódio recente acompanhado pelo instituto, envolvendo um cachorro encontrado em estado grave após sofrer agressões.
“Encontramos um cachorro de pequeno porte caído no asfalto, tremendo, espumando pela boca, em estado gravíssimo. A gente chegou a pensar que fosse atropelamento, mas, quando ele chegou ao veterinário, veio a notícia que chocou todos nós: não foi um acidente, ele foi brutalmente espancado. Não sabemos o que a pessoa usou ou como bateram nele, mas foi tão grave que quase rompeu o crânio e comprometeu os olhinhos. É impossível ver uma situação dessa e não sentir indignação, tristeza e revolta”, declarou.
A presidente do instituto defendeu maior envolvimento da sociedade no enfrentamento aos maus-tratos.
“Precisamos entender que respeito e responsabilidade com os animais refletem diretamente o tipo de sociedade que estamos construindo. Uma sociedade justa é aquela que protege os mais vulneráveis, que ensina empatia e que não normaliza a crueldade. Em nome do Instituto Pets House, pedimos: não ignorem, não se calem e não virem as costas. Denunciar, ajudar e conscientizar pode ser o que salva uma vida”, disse.
Rede de apoio enfrenta dificuldades
Protetores independentes alertam que a estrutura disponível para acolhimento de animais em situação de abandono já opera com limitações. A falta de espaço, os custos com alimentação e tratamento veterinário e o número crescente de resgates dificultam o atendimento da demanda.
Entre as principais necessidades apontadas estão a oferta de lares temporários, doações de ração, medicamentos e apoio financeiro para custear atendimentos veterinários. A colaboração da população também é considerada essencial para identificar rapidamente situações de risco.
Maus-tratos são crimes previstos em lei
O advogado e ativista da causa animal em Goianésia, Matheus Vidal, explicou que maus-tratos contra animais configuram crime e podem resultar em prisão, multa e perda da guarda do animal.
“É fundamental que a população compreenda que denunciar é um dever social. Muitas vezes, as pessoas acham que não adianta denunciar, que não terão provas suficientes, mas qualquer informação, vídeo, foto, testemunha ou até mesmo denúncia anônima pode ajudar na investigação e na responsabilização do autor”, afirmou.
Ele destacou que, além das consequências criminais, os responsáveis também podem responder judicialmente pelos danos causados.
“A Lei Federal 9.605, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, prevê punições para quem praticar atos de abuso, violência, ferimentos ou qualquer tipo de crueldade contra animais. Quando falamos especificamente de cães e gatos, a legislação ficou ainda mais rígida nos últimos anos. Hoje, a pena pode chegar a cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda do animal”, explicou.
Entidades de proteção animal e ativistas orientam que qualquer suspeita de maus-tratos seja comunicada às autoridades competentes. As denúncias podem ser feitas de forma anônima aos órgãos de proteção animal e às forças de segurança, permitindo a apuração dos casos e a responsabilização dos envolvidos.




