Quadro clínico pode comprometer mobilidade e aumentar risco de fraturas graves

Goianésia-O avanço da obesidade entre idosos tem chamado a atenção de especialistas devido aos impactos diretos na mobilidade, autonomia e qualidade de vida dessa população. Muitas vezes associada apenas ao envelhecimento natural, a condição acaba sendo subestimada, o que dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. Além do excesso de gordura corporal, médicos alertam para o crescimento dos casos de obesidade sarcopênica, quadro caracterizado pela perda de massa muscular associada ao aumento da gordura no organismo.

O médico Victor Hugo da Veiga Jardim explica que fatores culturais e limitações no modelo tradicional de diagnóstico contribuem para que a obesidade em idosos passe despercebida.

“Essa invisibilidade decorre de um viés cultural e de uma limitação no diagnóstico clínico tradicional. Historicamente, existe o que chamamos, na geriatria, de paradoxo da obesidade: a falsa crença de que o excesso de peso no idoso é um sinal de robustez ou apenas uma consequência natural e inofensiva do envelhecimento”, afirmou.

Segundo o especialista, outro problema é a forma como o sistema de saúde costuma conduzir o acompanhamento desses pacientes, tratando doenças isoladamente sem considerar a obesidade como origem de diversas complicações.

Perda muscular pode mascarar agravamento do quadro

Victor Hugo detalha que a obesidade sarcopênica representa um dos maiores desafios da geriatria atualmente, justamente porque o peso corporal pode permanecer estável mesmo com a piora das condições físicas do paciente.

“O idoso perde massa muscular magra e ganha gordura corporal. Como o peso na balança muitas vezes permanece o mesmo, a obesidade passa despercebida visualmente, mascarando um grave processo de declínio físico. O acúmulo de tecido adiposo gera uma sobrecarga mecânica severa nas articulações, acelerando a osteoartrite e alterando o centro de gravidade do corpo. Isso eleva exponencialmente o risco de quedas e fraturas graves, que são as principais vias para a perda definitiva da independência”, pontuou.

Limitações físicas podem levar ao isolamento social

De acordo com o especialista, o comprometimento da mobilidade interfere diretamente na autonomia dos idosos e pode desencadear consequências emocionais e sociais.

“A associação da perda de força muscular com o excesso de carga corporal cria uma síndrome de fragilidade. Atividades simples, como levantar-se de uma poltrona, tomar banho de forma autônoma ou caminhar até a esquina, tornam-se barreiras intransponíveis. Esse isolamento físico frequentemente evolui para o isolamento social”, relatou.

Tratamento exige acompanhamento multidisciplinar

Especialistas apontam que o controle da obesidade na terceira idade precisa ser feito de forma individualizada, envolvendo acompanhamento médico, alimentação equilibrada, fortalecimento muscular e prática regular de atividades físicas compatíveis com cada paciente.

A orientação é para que familiares e profissionais de saúde observem mudanças na mobilidade, perda de força e alterações funcionais, mesmo quando o peso corporal aparentemente permanece estável.