Senador é alvo de investigação sobre supostas vantagens indevidas e afirma que vai se dedicar à defesa e às articulações para as eleições de 2026.

Goianésia -O senador Jaques Wagner (PT) anunciou, nesta semana, que deixará a liderança do governo no Senado Federal após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada no Palácio da Alvorada. A decisão ocorre em meio às investigações da Polícia Federal relacionadas ao chamado caso Master, que apura supostas vantagens indevidas recebidas pelo parlamentar.

O encontro marcou a primeira conversa presencial entre Lula e Wagner desde a operação realizada na semana passada. Segundo o senador, o afastamento foi definido em comum acordo com o presidente e tem como objetivo permitir sua dedicação à defesa diante das acusações e às articulações políticas para as eleições de 2026.

Em declaração pública, Wagner afirmou que sua prioridade será demonstrar sua inocência e contribuir para os projetos eleitorais do grupo político ao qual pertence, incluindo as candidaturas à reeleição do presidente Lula, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e sua própria candidatura ao Senado.

Investigação envolve supostas vantagens indevidas

O anúncio ocorre após o parlamentar ser alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito das investigações do caso Master. Conforme a apuração, Wagner é suspeito de ter recebido benefícios indevidos, que incluiriam um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, além de um repasse de R$ 3,5 milhões destinado a uma empresa vinculada à família de seu enteado.

Os investigadores também apuram outras vantagens que teriam sido concedidas ao senador e possíveis contrapartidas em favor de interesses relacionados ao grupo investigado.

Até o momento, Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que pretende concentrar esforços na comprovação de sua inocência.

PF apreende dinheiro e objetos durante operação

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, a Polícia Federal apreendeu valores em espécie e objetos de luxo em endereços ligados ao senador.

Em uma das residências, foram encontrados US$ 49 mil, equivalentes a aproximadamente R$ 253 mil, além de relógios. Já no imóvel localizado em Salvador, os agentes recolheram US$ 16.795, cerca de R$ 87 mil, 39.675 euros, estimados em aproximadamente R$ 234 mil, e R$ 16,5 mil em moeda nacional.

Os materiais apreendidos passarão por análise no decorrer das investigações.

Suspeita de favorecimento a interesses do grupo Master

A Polícia Federal também investiga se o senador atuou para beneficiar pautas de interesse do grupo Master no Congresso Nacional.

Entre os elementos analisados pelos investigadores está uma proposta legislativa apresentada por Wagner que, segundo a apuração, poderia favorecer interesses relacionados ao grupo econômico investigado. O conteúdo e o alcance dessas suspeitas ainda são objeto de análise pelas autoridades.

Impactos políticos na Bahia

Nos bastidores políticos, a saída da liderança do governo também ocorre em um momento de preocupação entre aliados do PT na Bahia. Antes da operação, integrantes da base governista consideravam consolidada a estratégia eleitoral que previa as candidaturas de Jaques Wagner e Rui Costa ao Senado, além da tentativa de reeleição do governador Jerônimo Rodrigues.

Com o avanço das investigações, lideranças do grupo buscam evitar que os desdobramentos do caso produzam reflexos negativos sobre outras candidaturas ligadas ao campo governista no estado.

Substituição ainda não foi definida

Apesar de confirmar o afastamento da função, Jaques Wagner não indicou quem poderá assumir a liderança do governo no Senado.

A definição do substituto deverá ocorrer nos próximos dias, em articulação entre o Palácio do Planalto e a bancada governista no Congresso Nacional.

Enquanto isso, as investigações seguem em andamento e deverão avançar com a análise dos materiais apreendidos e das suspeitas relacionadas ao caso Master.