Debate passa pelo agronegócio, reorganização do PL e espaço do PSB

Goianésia-O cenário político e econômico de Goiás vive dias de movimentação intensa, com decisões que impactam diretamente o setor produtivo e articulações que começam a desenhar a disputa eleitoral de 2026. Em entrevista à RVC FM, Vilmar Rocha avaliou o fim antecipado da taxa do agro, as mudanças partidárias no Estado e o fortalecimento regional de Goianésia, que recentemente sediou o lançamento da pedra fundamental da nova unidade do Sebrae.

Ao comentar a instalação de estruturas da futura sede do Sebrae em Goianésia, Vilmar relacionou o momento a um processo construído ao longo dos anos. “Foi feito um trabalho, uma luta, uma gestão para preparar Goianésia para isso e agora está vindo. Tudo que se planta, colhe. Às vezes demora um pouco mais, mas se colhe. Tudo que nós plantamos, quando eu falo nós, é a comunidade, é o povo de Goianésia”, afirmou.

Ele também associou o crescimento local a gestões anteriores e a um padrão administrativo consolidado. “A gestão do Otavinho qualificou, profissionalizou a gestão pública em Goianésia. Do ponto de vista das contas públicas, do ponto de vista da gestão, isso tudo conta ponto”, declarou. Segundo ele, a cidade construiu uma reputação de estabilidade administrativa ao longo das últimas décadas.

Sobre ética na administração municipal, Vilmar fez uma comparação com o cenário nacional. “Ao longo desses anos todos, você via muitas cidades do interior com problema, prefeito sendo preso, vereadores, secretários, isso não passou por Goianésia. Também foi um padrão que foi implantado e que se manteve”, disse, ao mencionar que essa trajetória contribuiu para um ambiente de confiança institucional.

No âmbito estadual, ele avaliou a decisão do governador Ronaldo Caiado de encerrar antecipadamente a chamada taxa do agro. “Primeiro, não devia ter criado, não era necessário. Criou e agora acabou um ano de antecedência, fez o certo também. Judicialmente, o Supremo decidiu que era inconstitucional e a gestão dos recursos não foi boa”, afirmou, apontando problemas na execução das obras financiadas pelo tributo.

Vilmar considerou que a medida beneficia o setor produtivo. “Eles vão deixar de pagar e também foram perdoadas as multas no transporte de bovinos, que estavam acumuladas. Eu acho que isso foi bom para o setor agropecuário, que é um setor fundamental da nossa economia”, avaliou.

Na esfera partidária, ele criticou a filiação de Ana Paula Rezende ao PL e o apoio à pré-candidatura de Wilder Morais ao governo estadual. Ao mencionar o legado de Iris Rezende, afirmou: “Se o Iris estivesse vivo isso não teria acontecido. A turma do Iris era o MDB histórico e nenhum deles acompanharam. Ela foi sozinha”.

Para ele, o impacto eleitoral da aliança tende a ser limitado. “Do ponto de vista eleitoral, acrescenta muito pouco. Tem mais um efeito simbólico por ser filha do Iris. O grupo que sempre apoiou ele aqui, vereadores, deputados, ninguém saiu. Todo mundo permanece no MDB”, analisou.

Vilmar também comentou a consolidação da candidatura própria do PL em Goiás. “Eu inclusive não acreditava muito na candidatura dele, porque uma grande parte do PL não queria que ele fosse candidato a governador. Mas agora foi lançado. Até a convenção muita coisa pode mudar”, ponderou, ao observar que o campo da direita no Estado não é homogêneo.

Sobre o deputado Gustavo Gayer, que não participou do ato de lançamento da pré-candidatura, foi cauteloso. “Eles são muito imprevisíveis. Não fazem política com a razão, fazem com a emoção. Eu não tenho fundamentos para saber qual vai ser o posicionamento dele”, disse.

Em relação ao PSB, Vilmar indicou que o partido deve buscar espaço na chapa majoritária em 2026. “Eu defendo que o PSB tem que participar da chapa. Ou com candidato a senador, ou com candidato a vice-governador. Foi o que fizemos em 2022, quando honramos o compromisso e lançamos candidatura”, afirmou, sinalizando que as definições dependerão das articulações até o prazo final para mudanças partidárias.

Com a proximidade do calendário eleitoral, o cenário segue aberto em Goiás, combinando decisões administrativas recentes com rearranjos políticos que prometem influenciar os próximos meses.