Goianésia- O Banco Central decidiu, em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), manter a taxa Selic em 15% ao ano, encerrando um ciclo de sete altas consecutivas iniciado em setembro de 2024. Essa é a maior taxa desde 2006. A decisão, unânime entre os membros do comitê, marca uma pausa na elevação dos juros, com o objetivo de avaliar os efeitos das medidas já adotadas.
De acordo com o economista Daniel Dávila, o cenário de juros elevados afeta diretamente o custo do dinheiro na economia. “A Selic é a taxa básica de juros. Ela define o custo do crédito no país, tanto para quem empresta quanto para quem toma emprestado. Quando a Selic sobe ou permanece alta, como agora, os financiamentos ficam mais caros. Isso vale para empréstimos pessoais, crédito para empresas e também para financiamentos de casas e carros”, explica.
Ele destaca ainda que a Selic influencia o rendimento de títulos públicos, como o Tesouro Selic, o que pode ser positivo para quem investe em renda fixa. “Por outro lado, o consumidor tende a reduzir o consumo e poupar mais, impactando setores como o varejo e a construção civil”, acrescenta.
Mesmo com a Selic em patamar elevado, o Brasil continua com a segunda maior taxa de juros real do mundo, atrás apenas da Turquia. O Copom justificou a decisão apontando a persistência da inflação acima da meta de 3%, além de riscos ligados ao cenário internacional, como o aumento de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, e as incertezas fiscais no país.
Daniel Dávila reforça que o comportamento do governo em relação às contas públicas também é determinante. “Se não houver um sinal claro de compromisso com o controle fiscal ou seja, de que o governo não gastará mais do que arrecada, a taxa de juros dificilmente cairá no médio prazo. Sem isso, as condições para financiamento, crédito e expansão de empresas seguem desfavoráveis.”
Na prática, a manutenção da Selic em 15% ao ano significa que empréstimos, financiamentos e compras parceladas continuarão com juros altos, o que dificulta o acesso ao crédito e reduz o poder de compra das famílias. Já para quem investe em renda fixa, como CDBs, LCIs e títulos do Tesouro Direto, o momento segue favorável, com retornos mais atrativos em relação à inflação.




