Regionalização permite concentrar procedimentos de alta complexidade em centros de referência

Goianésia- A necessidade de buscar atendimento de saúde fora do município de origem ainda gera dúvidas entre muitos moradores. No entanto, o encaminhamento de pacientes para outras cidades faz parte da organização do Sistema Único de Saúde (SUS), que distribui os serviços de acordo com a complexidade de cada atendimento e a estrutura disponível em cada região.

A especialista em saúde pública e integrante do Conselho Municipal de Saúde de Goianésia, Rosa Steckelberg, explica que o sistema é dividido em três níveis de atenção. Segundo ela, a atenção primária é a porta de entrada dos usuários e concentra a maior parte dos atendimentos.

"A atenção primária é onde estão as unidades básicas de saúde, os postinhos, a Estratégia Saúde da Família e os consultórios das especialidades básicas. Aqui são resolvidos a maioria dos problemas, consultas, exames e procedimentos mais simples", afirma.

Já a atenção secundária reúne serviços especializados, como consultas com especialistas e exames de maior complexidade. O terceiro nível, conhecido como atenção terciária, é destinado aos casos que exigem estrutura hospitalar avançada.

"A atenção terciária envolve um nível de complexidade maior, com hospitais, cirurgias mais delicadas e UTIs, que só se justificam em grandes centros. Por isso, existe a regionalização da saúde", explica.

De acordo com o Ministério da Saúde, a atenção primária tem capacidade para resolver cerca de 80% das demandas da população. A estratégia contribui para reduzir a sobrecarga dos serviços especializados e garantir que os recursos disponíveis sejam utilizados de forma mais eficiente.

Nesse modelo, quando um paciente necessita de atendimento especializado ou tratamentos que não estão disponíveis no município, o encaminhamento para outra cidade ocorre de forma planejada dentro da rede pública.

"Quando um paciente precisa de um especialista ou de um tratamento mais avançado, ele é encaminhado para outro local, e isso é absolutamente normal. É importante destacar que, quanto mais forte e resolutiva for a atenção primária no município, menor será a necessidade de buscar atendimento fora, porque ela atua também na prevenção", destaca Rosa.

A especialista observa, ainda, que cabe aos gestores municipais fortalecer a estrutura local de saúde, organizar os fluxos de atendimento e garantir que os usuários tenham acesso adequado aos serviços disponíveis em cada nível de atenção.

"Fortalecer a saúde local, ter os fluxos organizados e garantir o acesso adequado é responsabilidade dos gestores municipais. O paciente precisa saber para onde ir e como funciona cada etapa desse processo", afirma.

Segundo Rosa Steckelberg, compreender a organização do sistema é fundamental para que a população utilize corretamente os serviços e para que a rede funcione de maneira mais eficiente. Quando há integração entre os diferentes níveis de atendimento e os encaminhamentos seguem critérios técnicos, o percurso do paciente se torna mais ágil e adequado às necessidades de cada caso.