Parque de Exposições Agropecuárias Crebilon Menandro de Araújo Rocha sedia encontro neste sábado (4)

Goianésia-A cadeia produtiva da borracha natural volta a ser tema de debates em Goianésia neste sábado (4), durante o 5º Workshop da Cultura da Seringueira. O encontro, realizado pela Associação dos Produtores de Borracha Natural de Goiás e Tocantins (APROB), integra a programação da 52ª ExpoAgro e reunirá produtores rurais, representantes da indústria, pesquisadores e empresas para discutir mercado, inovação, legislação, tecnologia e os principais desafios enfrentados pelo setor. O evento ocorrerá no Parque de Exposições Agropecuárias Crebilon Menandro de Araújo Rocha.

Durante entrevista exclusiva à RVC FM, o presidente da APROB Goiás/Tocantins, José Fernando Benesi, afirmou que o crescimento da cultura da seringueira no estado ocorre mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo agronegócio.

"Estamos realizando mais um workshop pela APROB, trazendo informações, que é a nossa função: informações técnicas, de mercado e até trabalhistas, porque hoje tudo faz parte. Você tem que pensar na atividade como um todo. Vamos ter palestra focada na reforma tributária e também sobre a NR-1."

Atividade movimenta emprego e renda na região

Além dos aspectos técnicos, o dirigente explicou que o evento também aproxima os produtores da indústria consumidora da matéria-prima.

A expansão da heveicultura também tem impacto direto na geração de empregos em Goiás e Tocantins. José Fernando destacou que a cultura da seringueira exige mão de obra especializada e oferece remuneração atrativa aos trabalhadores.

"Uma coisa que, às vezes, a gente fala pouco é a importância social da seringueira. Hoje, ela é uma das maiores geradoras de emprego no município e na região. Falta mão de obra, nós estamos com problema de mão de obra. Tem propriedade que gera mais emprego que a própria prefeitura da cidade. Os trabalhadores da seringueira têm salário fixo, salário-base, gratificações e participação na produção. Quem estiver precisando de emprego, a seringueira hoje é uma excelente oportunidade de trabalho."

Segundo ele, o avanço da atividade também desperta o interesse de novos produtores, que passam a enxergar a cultura como alternativa econômica para diversificação das propriedades rurais.

Programação aborda mercado, tecnologia e legislação

A secretária executiva da APROB Goiás/Tocantins, Ludmila Rodrigues, informou que a expectativa é de casa cheia durante o workshop. Ela explicou que a organização conseguiu reunir parceiros, patrocinadores e palestrantes para uma programação voltada às principais demandas do setor.

"O evento já é um sucesso. Temos o público esperado, os parceiros também. Todos os parceiros que nós solicitamos a presença irão participar com a gente. Estamos com uma expectativa muito positiva de que amanhã será um grande sucesso, com bons palestrantes e bons temas."

O encontro será realizado na nova estrutura do Senai, em Goianésia, no Parque de Exposições Agropecuárias Crebilon Menandro de Araújo Rocha, com início às 8 horas, incluindo credenciamento e café da manhã antes da abertura oficial.

Entre os assuntos previstos na programação estão o cenário do mercado da borracha, inovação tecnológica, segurança no trabalho e reforma tributária. Ludmila explicou que empresas do setor apresentarão soluções voltadas ao aumento da produtividade.

"Teremos palestras sobre o mercado da borracha com o doutor Marcelo, palestra com representante da Syngenta, que vai apresentar tecnologias que já podem ser aplicadas no campo. O setor da heveicultura sofre muito com a dificuldade de automação do processo produtivo e de investimentos em tecnologia. Também teremos palestra sobre a NR-1, sobre os riscos psicossociais nas empresas, reforma tributária e uma apresentação institucional do Senar, com os cursos e capacitações disponíveis."

Ela acrescentou que os produtores acompanham de perto as inovações desenvolvidas para a atividade.

"A Syngenta vai trazer essas novidades para a gente. As empresas vêm buscando aprimorar as tecnologias, e o produtor está sempre atento, porque qualquer melhoria que houver ele vai adotar no seringal, tentando reduzir custos e trazer mais produtividade."

Setor também busca soluções junto ao Governo Federal

Além da realização do workshop, representantes da APROB participaram, nesta semana, de uma reunião em Brasília com o ministro da Agricultura para apresentar reivindicações da cadeia produtiva da borracha natural.

José Fernando Benesi explicou que as discussões envolveram temas como a concorrência internacional e os impactos provocados pelo aumento das importações. Segundo ele, durante o encontro, as principais demandas do setor foram apresentadas diretamente ao governo federal.

"Levamos todas as demandas que continuamente temos levado para o governo. Ao final da reunião, o secretário de Política Agrícola fez um desabafo, dizendo que aprendeu a gostar desse setor e que via as dificuldades enfrentadas pelos produtores. O ministro respondeu que o compromisso agora era dele. Acredito que vamos ter bons resultados daqui para frente."

Para o presidente da APROB, o Brasil possui potencial para ampliar sua produção e reduzir a dependência de importações.

"Nós fizemos uma apresentação muito interessante sobre toda a cadeia produtiva da borracha. O Brasil anda sobre rodas, e nós tínhamos condições de estar exportando para o mundo inteiro. Ao contrário, estamos importando, mas, com certeza, nós vamos mudar esse jogo."

Indústria aponta mudança no mercado de pneus

Representando a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), o diretor jurídico e institucional Marcelo Del Grande Pricoli destacou que o workshop aproxima todos os elos da cadeia produtiva e permite discutir soluções para o setor.

"É muito importante estar aqui, participar desses eventos e poder expor um pouquinho todo o cenário e toda a importância da cadeia da borracha natural como um todo. Agradeço o convite da APROB e fico muito satisfeito em participar desse evento."

Ao comentar o cenário econômico, ele afirmou que o mercado brasileiro passou por mudanças significativas nos últimos anos.

"A partir de 2020 e 2021, houve uma reversão no cenário do setor de fabricantes de pneus. Antigamente, as empresas instaladas no Brasil tinham cerca de 70% do mercado, enquanto os importados representavam entre 25% e 30%, uma condição considerada normal. Só que, de uns tempos para cá, esse cenário mudou."

Segundo Marcelo Del Grande Pricoli, esse novo contexto afeta diretamente toda a cadeia da borracha natural e será um dos temas centrais debatidos durante o workshop, que busca aproximar produtores, indústria e especialistas na construção de estratégias para fortalecer o setor brasileiro.