Goianésia-Um levantamento do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) revela que quase 40 denúncias de agressões e violência contra médicos foram registradas no estado nos últimos dois anos. Os casos incluem ameaças, desacatos e agressões físicas e verbais em unidades de saúde, cenário que preocupa entidades médicas pelos reflexos na segurança dos profissionais e na qualidade do atendimento prestado à população.
O aumento das ocorrências acompanha uma tendência observada em todo o país. Dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) apontam que o Brasil registrou mais de 4 mil casos de violência contra médicos em 2024, o maior número desde o início do monitoramento nacional, em 2013. Em média, 12 médicos são agredidos diariamente durante o exercício da profissão e, a cada duas horas, um profissional sofre ameaça, injúria, desacato ou lesão corporal.
Para a médica especialista em Medicina Legal e Perícia Médica, Caroline Daitx, a violência contra profissionais da saúde está relacionada a diversos fatores presentes na rotina dos serviços de atendimento.
Segundo a especialista, a sobrecarga das unidades, o longo tempo de espera, deficiências estruturais e a frustração dos pacientes contribuem para um ambiente de tensão. No entanto, ela destaca que nenhuma dessas situações justifica agressões físicas ou verbais contra profissionais que atuam no cuidado à saúde da população.
Os impactos vão além dos episódios de violência em si. Caroline explica que as agressões afetam diretamente o exercício da medicina, provocando insegurança, desgaste emocional e comprometimento das condições de trabalho dos profissionais.
A preocupação também é compartilhada por organismos internacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a violência no ambiente de trabalho como um problema global de saúde pública. Estudos apontam que cerca de 62% dos profissionais de saúde em todo o mundo já sofreram algum tipo de violência ocupacional ao longo da carreira.
Além dos danos físicos, os episódios podem desencadear consequências psicológicas importantes, como ansiedade, estresse ocupacional, síndrome de burnout e outros transtornos relacionados à saúde mental. Especialistas alertam, ainda, que muitos casos não chegam a ser formalmente registrados, por receio de represálias ou pela percepção de que a denúncia não resultará em providências efetivas.
Diante desse cenário, entidades médicas defendem a adoção de medidas voltadas à melhoria da estrutura dos serviços de saúde, ao fortalecimento dos protocolos de segurança e à conscientização da população sobre a importância do respeito aos profissionais que atuam na linha de frente do atendimento.
O debate segue entre representantes da classe médica e gestores públicos, que buscam alternativas para reduzir os casos de violência e garantir condições adequadas de trabalho. Para os especialistas, proteger os profissionais da saúde é uma medida que beneficia não apenas a categoria, mas toda a população que depende dos serviços de atendimento.




