Goianésia-A possibilidade de criação de uma nova entrada para o Distrito Agroindustrial de Goianésia (Daigo) voltou ao centro das discussões após uma reunião realizada nesta semana na Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego). A proposta busca oferecer uma alternativa ao atual acesso pela GO-080, considerado um dos pontos mais sensíveis para a circulação de trabalhadores, veículos leves e caminhões que atendem as indústrias instaladas na região.
Durante entrevista exclusiva à RVC FM, Pedro Gonçalves explicou que a iniciativa não parte do zero. Segundo ele, parte da estrutura necessária já foi construída em gestões anteriores.
“Existe ali já uma ponte construída. Ela foi feita quando Renato de Castro era presidente da Codego. Essa ponte sobre o Córrego Laranjeira cria uma alternativa, uma entrada alternativa para o Daigo”, afirmou.
Atualmente, toda a movimentação de entrada e saída do distrito industrial ocorre pela GO-080. De acordo com Pedro, a configuração do acesso exige que motoristas reduzam drasticamente a velocidade para ingressar no local, enquanto outros veículos trafegam em aceleração pela rodovia.
“Quem conhece a entrada sabe o quanto ela é perigosa. Quem vai entrar no Daigo praticamente reduz a zero a sua velocidade, enquanto disputa espaço com veículos que já estão acelerando para seguir viagem”, relatou.
Obra foi interrompida por questões ambientais
A alternativa em estudo prevê o aproveitamento da ponte já existente e a criação de uma ligação viária conectando o distrito à malha urbana de Goianésia. O projeto contempla o prolongamento da Avenida Bahia e uma projeção da Rua 38, formando um novo corredor de acesso ao Daigo.
Pedro explicou que a paralisação ocorreu devido à ausência de licenciamento ambiental, impedindo a continuidade dos trabalhos.
“A ponte já está pronta, na verdade, e a obra foi embargada em razão da ausência de licenciamento ambiental. O que nós fomos fazer na Codego foi solicitar que a companhia retomasse o diálogo com a Semad para que essa obra seja retomada”, disse.
Segundo ele, a implantação da nova entrada dependerá também de futuras intervenções viárias por parte do município para conectar a estrutura ao sistema urbano.
Novo trajeto é considerado mais adequado para caminhões
Durante a entrevista, Pedro também comentou sobre a possibilidade de utilização da antiga saída para Barro Alto como ligação ao distrito industrial. Na avaliação dele, a alternativa não atenderia adequadamente à demanda logística existente.
“Essa nova entrada não seria apenas para acesso das pessoas que vão trabalhar, mas também para os caminhões que entram para escoar a produção. A saída antiga para Barro Alto é muito estreita. O mais adequado é fazer o prolongamento da Avenida Bahia com a projeção da Rua 38”, explicou.
A proposta permitiria melhor circulação de veículos de carga e facilitaria o acesso à Avenida Contorno, reduzindo conflitos de tráfego em um dos trechos mais movimentados da GO-080.
Codego prepara nova licitação para conclusão da estrutura
Um dos principais resultados da reunião foi a confirmação de que a Codego já avançou em questões administrativas relacionadas ao empreendimento. Conforme relatado por Pedro Gonçalves, a companhia informou que o desembargo da obra foi obtido e que a etapa restante depende de uma nova contratação.
“O diretor de engenharia nos disse que a Codego já conseguiu esse desembargo. Agora falta fazer o encabeçamento da ponte. É uma obra que já está muito adiantada, e falta algo em torno de quinhentos mil reais para sua conclusão”, afirmou.
A previsão é que uma equipe técnica visite o local para avaliar as condições atuais da estrutura e iniciar os procedimentos necessários para a abertura da licitação.
Segurança é um dos principais argumentos para o projeto
Além da questão logística, a criação de um novo acesso é vista como uma medida voltada à redução de riscos no trânsito. O distrito recebe diariamente trabalhadores, fornecedores e veículos de transporte de carga, o que amplia o fluxo de entrada e saída na rodovia.
“É um risco para todo mundo. Para o trabalhador que vai de moto, de bicicleta ou de carro. É um risco para os caminhões e também para quem trafega pela GO-080 sem ter relação com o Daigo”, declarou.
Pedro relatou ainda preocupações apresentadas por empresários da região, especialmente em relação às manobras realizadas por caminhões durante operações de embarque e desembarque.
“O caminhão fica atravessado na pista. Quem vem de Barro Alto muitas vezes tem pouca visibilidade naquele ponto e pode não conseguir reduzir a velocidade a tempo”, comentou.
Crescimento industrial aumenta necessidade de melhorias
A discussão ocorre em um momento de expansão das atividades econômicas instaladas ao longo da GO-080. O trecho concentra indústrias de diferentes segmentos e deverá receber ainda mais movimentação nos próximos anos.
“O eixo industrial de Goianésia está nessa rodovia. Temos várias empresas instaladas ali e a Fricó, que está pronta para funcionar com mais de 500 funcionários. É urgente que façamos essa entrada alternativa”, afirmou.
Ele também citou a presença do Agrocolégio Maguito Vilela, cujo acesso ocorre pela mesma entrada utilizada para chegar ao Daigo, ampliando a circulação de estudantes, pais e trabalhadores na região.
Ao final da reunião, não foi definido um cronograma oficial para a execução das próximas etapas. No entanto, a Codego informou que uma equipe de engenharia deverá visitar Goianésia em breve para avaliar a estrutura existente e dar andamento aos procedimentos necessários para a conclusão da obra.




