Goianésia - Dois terremotos de grande magnitude atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24), provocando ao menos 32 mortes, cerca de 700 feridos e danos significativos em diversas regiões do país. Os tremores, considerados os mais intensos registrados em território venezuelano em mais de um século, também foram sentidos em áreas da Região Norte do Brasil próximas à fronteira entre os dois países.
As informações foram confirmadas pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que decretou estado de emergência diante da dimensão do desastre. As autoridades alertam que o número de vítimas pode aumentar nas próximas horas, especialmente porque ainda não foi concluído o levantamento dos impactos em algumas das áreas mais atingidas.
Terremotos ocorreram com intervalo de menos de um minuto
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o primeiro abalo sísmico, de magnitude 7,2, foi registrado às 18h04 (horário local), com epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy.
Apenas 39 segundos depois, um segundo tremor, ainda mais forte, de magnitude 7,5, atingiu a região próxima ao município de Yumare. Ambos ocorreram a menos de 30 quilômetros de profundidade, fator que contribuiu para a intensidade dos danos observados na superfície.
Além dos dois eventos principais, mais de 20 réplicas foram registradas nas horas seguintes.
Mortes, feridos e destruição
Os estados de Caracas, La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón estão entre os mais afetados. Imagens divulgadas por moradores e veículos de comunicação mostram edifícios desabados, estruturas comprometidas e equipes de resgate atuando em áreas de difícil acesso.
Em Caracas e La Guaira, milhares de pessoas deixaram suas residências e permaneceram nas ruas por receio de novos tremores. O governo venezuelano informou que diversas construções sofreram danos severos e que as operações de busca continuam em vários pontos do país.
O prefeito do município de Chacao, Gustavo Duque, informou o desabamento de edifícios residenciais e confirmou o resgate de, ao menos, 18 pessoas com vida entre os escombros.
Estado de emergência e mobilização internacional
Diante da gravidade da situação, o governo venezuelano criou um gabinete de crise e mobilizou equipes da proteção civil, bombeiros, policiais e voluntários para atuar nas regiões atingidas.
Delcy Rodríguez informou que o país receberá apoio internacional por meio de equipes de resgate enviadas pelos Estados Unidos, República Dominicana, El Salvador, México e Catar.
A dirigente agradeceu a solidariedade de diversos governos e afirmou que as operações estão concentradas no salvamento de sobreviventes e no atendimento aos feridos.
Líderes internacionais também manifestaram apoio à população venezuelana. Entre eles estão o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e autoridades da China, Argentina e El Salvador.
Brasil monitora impactos e presta assistência
O Ministério das Relações Exteriores informou que os tremores foram sentidos em localidades brasileiras próximas à fronteira com a Venezuela.
Em nota oficial, o governo brasileiro manifestou solidariedade ao povo venezuelano e colocou sua estrutura diplomática à disposição dos brasileiros que estejam nas áreas afetadas.
Em Belém, no Pará, alguns edifícios chegaram a ser evacuados preventivamente. Apesar do susto, as autoridades locais informaram que não houve registro de vítimas nem de danos estruturais relevantes.
Infraestrutura comprometida
Os terremotos provocaram interrupções em serviços essenciais em várias cidades venezuelanas. Foram registrados cortes de energia elétrica, falhas nos sistemas de internet e telefonia, suspensão do metrô de Caracas, interrupções ferroviárias e problemas no abastecimento de água.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, principal terminal aéreo do país, teve as operações suspensas por tempo indeterminado após sofrer danos estruturais considerados graves pelas autoridades.
Como medida preventiva, o fornecimento de gás natural também foi interrompido em algumas regiões para reduzir o risco de explosões e acidentes.
Alerta para novas réplicas
Após os tremores, foram emitidos alertas de tsunami para a Venezuela, Aruba e Bonaire, além de avisos preventivos para Porto Rico e Ilhas Virgens Britânicas. Posteriormente, todos os alertas foram cancelados.
O USGS, entretanto, mantém o alerta para a possibilidade de novas réplicas de grande intensidade nos próximos dias. A agência também avalia como elevado o risco de deslizamentos de terra e liquefação do solo em áreas vulneráveis.
Segundo projeções divulgadas pelo órgão norte-americano, o desastre pode resultar em perdas humanas e econômicas ainda mais significativas, dependendo da evolução das operações de resgate e da extensão dos danos estruturais.
Relatos de medo e desespero
Moradores das regiões atingidas relataram momentos de pânico durante os terremotos. A jornalista Nicole Kolster, residente em Caracas, afirmou que foi o tremor mais forte que já sentiu em 37 anos de vida.
Ela contou que buscou abrigo dentro do apartamento enquanto observava portas, janelas e estruturas balançando intensamente. Após o primeiro impacto, deixou o edifício junto com outros moradores e permaneceu nas ruas por segurança.
Outras testemunhas relataram rachaduras em imóveis, quebra de vidros e dificuldades para deixar prédios durante os abalos.
As autoridades seguem monitorando a situação e reforçam a recomendação para que a população evite permanecer em edificações danificadas até a conclusão das avaliações técnicas.




