Sintomas iniciais incluem feridas que não cicatrizam e manchas

Goianésia- O câncer de boca pode atingir diferentes regiões da cavidade oral e está associado a hábitos e condições que ainda fazem parte da rotina de muitos brasileiros. Quando diagnosticado em estágios avançados, o tumor pode comprometer funções essenciais, como a fala e a alimentação. A médica oncologista Cinthia Cardoso Moreira detalha como a doença se desenvolve, aponta os principais fatores de risco e alerta para os sinais iniciais.

“O câncer de boca pode afetar os lábios e estruturas como língua, gengiva e céu da boca, acometendo principalmente homens acima de 50 anos. Os principais fatores de risco são tabagismo e consumo excessivo de álcool, que aumentam significativamente a probabilidade de desenvolver a doença. Infecções pelo HPV, exposição solar sem proteção dos lábios e higiene bucal inadequada também contribuem para o risco. Entre os sintomas, estão feridas que não cicatrizam por mais de duas semanas, manchas vermelhas ou brancas na mucosa oral, nódulos ou caroços no pescoço, dor ou sangramento constante, dormência na boca, dificuldade para mastigar, engolir ou falar, e dentes que amolecem e caem sem motivo aparente”, explica a especialista.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o Brasil registra cerca de 15 mil novos casos de câncer bucal por ano, com maior incidência entre homens. Os números reforçam a necessidade de atenção aos sintomas e a busca por diagnóstico precoce.

A médica orienta sobre prevenção e possibilidades de tratamento. “O diagnóstico envolve exame clínico, exames de imagem e, quando necessário, a biópsia para análise da lesão. O principal tratamento é a cirurgia, que retira o tumor, podendo ser associada à radioterapia ou quimioterapia. Para prevenir a doença, é fundamental evitar cigarro e bebidas alcoólicas, realizar o autoexame da boca regularmente, vacinar-se contra o HPV e consultar o dentista pelo menos uma vez ao ano. Detectando a lesão precocemente, aumentam significativamente as chances de cura”, afirma Cinthia.

O acesso à informação e o acompanhamento regular com profissionais de saúde ajudam a reduzir os riscos e ampliam as chances de diagnóstico em fases iniciais, quando os tratamentos apresentam os melhores resultados.