Levantamento do Dieese mostra que alimentação consome mais da metade do salário mínimo, afetando despesas essenciais

 

Goianésia - Um levantamento recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que o custo da cesta básica continua pesando forte no orçamento das famílias brasileiras. Mesmo com alguns itens registrando queda de preço em algumas capitais, os trabalhadores que recebem apenas o salário mínimo destinam mais da metade de sua renda para garantir alimentação, restando menos para despesas como aluguel, contas de água e luz e outros gastos essenciais.

A dona de casa goianesiense Sônia Maria relata que procura economizar ao máximo nas compras, mas afirma que o peso no bolso ainda é grande e o salário muitas vezes se torna insuficiente para cobrir todas as despesas do mês. “Está bem puxado no preço, né? Para quem ganha um salário, né? Às vezes ganha até menos, né? Tem que procurar promoções, né? Tem que estar sempre pesquisando.”

Para o motorista Alaor Ferreira, a situação também é preocupante. Segundo ele, tem sido um grande desafio equilibrar os compromissos mensais apenas com o salário mínimo vigente, que não acompanha adequadamente os custos básicos. “Pensa, você ganha mil e poucos reais, aí você tem que manter uma casa onde você tem três filhos, você paga aluguel, você paga energia, você paga água, e aí, tipo assim, e você ainda tem a condição do transporte. A conta não consegue, você não consegue achar nunca.”

O salário mínimo nacional foi reajustado para R$ 1.621 em 2026, valor que ainda está longe do montante considerado ideal pelo Dieese para suprir todas as necessidades de uma família de quatro pessoas. A pesquisa mensal da cesta básica aponta que o trabalhador acaba gastando mais de 50% do salário mínimo apenas com alimentação, mesmo com pequenas quedas nos preços de alguns itens.

A economista do Dieese, Leila Brito, detalha que o impacto dos preços no orçamento das famílias permanece elevado, comprometendo boa parte da renda com a alimentação. “Essa queda agora, desse mês, ela tem um pouco de sazonalidade. Então, quando a gente fala de sazonalidade, nós estamos falando do que é característico desse período do ano.”

De acordo com o Dieese, considerando todas as despesas essenciais de uma família de quatro pessoas, o salário mínimo ideal para suprir todas as necessidades em 2026 seria de aproximadamente R$ 7.067,18.