Goianésia-A aproximação das eleições de 2026 reacendeu o debate sobre a representatividade política de Goianésia em Brasília. Após anos sem um deputado federal ligado diretamente ao município, lideranças locais começaram a colocar seus nomes à disposição para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. O tema ganhou destaque diante do histórico político da cidade, que já teve participação relevante em diferentes esferas do poder público estadual e nacional.
Cenário político
Em entrevista exclusiva à RVC FM, o advogado, professor universitário e especialista em Direito Público e Gestão Pública, Jean Moura Mota, avaliou positivamente o surgimento de nomes locais na disputa.
"Goianésia ocupa uma posição de destaque no cenário político goiano. O município já elegeu importantes representantes, como o ex-governador Otávio Lage e o deputado federal constituinte Jalles Fontoura, além de, ao longo dos anos, ter contado com deputados estaduais que representaram a cidade na Assembleia Legislativa. Essa tradição de representatividade política permitiu que Goianésia defendesse não apenas seus próprios interesses, mas também as demandas de toda a região."
Atualmente, entre os nomes citados como pré-candidatos à Câmara Federal estão o ex-prefeito Leonardo Menezes e Henrique Vilela, que disputou a Prefeitura de Goianésia nas últimas eleições. "Eu vejo com bons olhos este atual cenário político de Goianésia dentro da perspectiva dessas pré-candidaturas."
Apesar da movimentação local, o especialista observa que uma candidatura competitiva para deputado federal depende de articulação em diversas regiões do Estado. "Hoje nós temos um dos cenários mais difíceis da história eleitoral do Estado de Goiás. Segundo o TSE, são mais de cinco milhões de eleitores aptos a votar. Isso faz com que o coeficiente eleitoral aumente ainda mais."
Jean Mota lembrou que o eleitorado goianesiense, sozinho, não é suficiente para garantir uma cadeira na Câmara dos Deputados. "Goianésia sozinha não vai eleger ninguém. Se nós considerarmos o último pleito, teremos em torno de 46 mil eleitores participando efetivamente da votação. Isso mostra que os pré-candidatos terão que trabalhar muito fora daqui."
Eleitorado diminuiu em Goianésia
Vale lembrar que, pela primeira vez em quase duas décadas, Goianésia registrou queda no número de eleitores aptos a votar. Dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) mostram que o município passou de 59.954 eleitores, em 2024, para 59.502, em 2026, uma redução de 452 pessoas, equivalente a 0,75% do eleitorado.
A retração interrompe uma sequência histórica de crescimento observada desde 2008. Naquele ano, Goianésia possuía 40.182 eleitores registrados. Desde então, a cada ciclo eleitoral, o município acumulou aumento gradual no número de votantes, chegando próximo da marca simbólica de 60 mil eleitores em 2024.
Estratégia eleitoral
Segundo o professor Jean Moura, a busca por apoio em outras cidades será indispensável para qualquer projeto eleitoral que pretenda alcançar sucesso nas urnas.
O professor também chamou atenção para as mudanças ocorridas nas estratégias eleitorais nos últimos anos, especialmente com o crescimento das plataformas digitais. "Nós temos uma situação extremamente atípica nas últimas eleições, que é a captação de votos por intermédio das redes sociais."
Ao analisar possíveis pré-candidaturas locais, Jean Moura mencionou a atuação digital de Henrique Vilela. "Vejo o Henrique Vilela com um engajamento significativo nas redes. É um rapaz que tem trabalhado bastante, colocado seu nome à disposição e se apresentado ao eleitorado."
O entrevistado citou exemplos de candidatos que alcançaram votações expressivas utilizando as ferramentas digitais como principal canal de comunicação. "Nós tivemos candidatos que romperam a barreira dos 200 mil votos. Isso mostra a potência das redes sociais e como essa ferramenta tem se tornado cada vez mais relevante nas campanhas."
Outro aspecto apontado durante a entrevista foi a necessidade de os partidos estruturarem nomes competitivos para alcançar o coeficiente eleitoral exigido pela legislação. "Vamos precisar de chapas muito fortes para atingir o coeficiente eleitoral e para que os candidatos sejam efetivamente eleitos dentro das suas legendas partidárias."
Ao analisar eleições anteriores, Jean Mota citou casos de candidatos que obtiveram votação expressiva, mas acabaram prejudicados pelo desempenho coletivo dos partidos. "Temos que ter cuidado para que os nossos candidatos não sejam utilizados como escada. A formação da chapa é um fator determinante dentro do sistema proporcional."
Representatividade regionalDurante a entrevista, o professor também abordou a disputa por votos no interior goiano e os impactos disso para os municípios da região. "Goianésia é 'saqueada' com frequência. Candidatos de outras cidades vêm aqui, levam os votos e, muitas vezes, não trazem os recursos, não devolvem as emendas e não apresentam benefícios para a população."
Na avaliação dele, a escolha de representantes ligados à realidade regional pode contribuir para ampliar a chegada de investimentos públicos. "Os votos vão virar emendas parlamentares, vão virar recursos para construção de pontes, pavimentação asfáltica e construção de casas. O parlamentar tem capacidade de atrair recursos fundamentais para o desenvolvimento de Goianésia e das cidades da região."
Representantes de Goianésia na Assembleia Legislativa
Além das articulações para a Câmara Federal, Jean Mota analisou o quadro das pré-candidaturas à Assembleia Legislativa de Goiás. "Vejo uma grande possibilidade de termos, no mínimo, dois deputados estaduais representando Goianésia na Assembleia."
O entrevistado destacou o trabalho realizado por nomes que já possuem mandato e que vêm ampliando suas bases eleitorais em diferentes regiões do Estado. "Estamos vendo deputados com presença em várias cidades, expandindo seus colégios eleitorais porque compreenderam que apenas os votos de Goianésia não garantem a manutenção do mandato."
Base governista ainda sem nome definido
Um dos pontos observados durante a conversa foi a indefinição sobre uma eventual candidatura vinculada ao grupo político do prefeito Renato de Castro. "O que me traz bastante estranheza é não ver o grupo da atual administração lançar um pré-candidato. Até hoje essa situação permanece indefinida."
Segundo ele, enquanto alguns pré-candidatos já intensificam agendas e articulações políticas, o grupo governista ainda não apresentou oficialmente um nome para a disputa.




