Goiás lidera o ranking nacional de comissionados entre as casas legislativas do país

 

Goianésia - Os gastos com cargos comissionados na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) voltaram a bater recorde e reacenderam o debate sobre o crescimento das despesas com pessoal no Legislativo estadual. Dados divulgados recentemente mostram que a folha de pagamento dos servidores comissionados alcançou R$ 36,8 milhões, impulsionada pelo aumento no número de nomeações e pela ampliação da estrutura administrativa da Casa. Somente em auxílios, os gastos chegaram a R$ 5,9 milhões.

A elevação nas despesas ocorreu após a contratação de mais 376 funcionários comissionados em apenas um mês, fator que contribuiu diretamente para o novo recorde na folha de pagamento.

Segundo levantamento divulgado recentemente, a Alego atingiu, em 2026, o maior número de cargos comissionados de sua história, ultrapassando 5,7 mil servidores de livre indicação política. O crescimento ocorre após sucessivas mudanças administrativas que ampliaram o número de assessores permitidos nos gabinetes parlamentares. Goiás lidera o ranking nacional de comissionados entre as casas legislativas do país.

Os dados apontam que, apenas nos últimos anos, houve aumento significativo na quantidade de indicações políticas dentro da estrutura do Legislativo goiano. Em março deste ano, o número de cargos chegou a 5.775, crescimento de cerca de 120% em comparação com a última década.

O impacto financeiro acompanha a expansão da estrutura. Reportagem do jornal O Popular aponta que a folha total da Alego alcançou valores próximos de R$ 40 milhões em determinados períodos de 2025, influenciada por benefícios, gratificações e novos cargos criados ao longo da atual gestão.

Além do aumento de servidores comissionados, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-GO) e o Ministério Público de Goiás (MP-GO) acompanham a evolução da relação entre servidores efetivos e cargos de livre nomeação. O tema já motivou questionamentos sobre o equilíbrio entre os dois tipos de vínculos dentro da administração pública.

O crescimento das despesas ocorre em meio às discussões sobre limites fiscais e teto de gastos do Estado. A Alego também busca ampliar o limite orçamentário para os próximos anos, após a saída de Goiás do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e a adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).