Goiás entra na discussão sobre terras raras

Goianésia-A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhou espaço nas últimas semanas no Congresso Nacional e passou a mobilizar diferentes setores da sociedade. A proposta, que prevê mudanças na jornada de trabalho e ampliação do descanso semanal, ocorre em meio ao ambiente pré-eleitoral e provoca reações tanto de trabalhadores quanto do setor produtivo. O tema também envolve impactos econômicos, modelos de contratação e possíveis mudanças nas relações trabalhistas no Brasil.

Durante entrevista exclusiva à RVC FM, no quadro Falando Sério, o ex-deputado federal Vilmar Rocha afirmou que a redução da jornada acompanha uma tendência internacional, mas defendeu cautela na condução do debate.

Terras raras entram na pauta nacional

Antes de comentar a proposta sobre a escala de trabalho, Vilmar Rocha abordou a aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto relacionado à exploração de terras raras e minerais estratégicos. Segundo ele, o assunto deve ganhar protagonismo nos próximos anos devido ao potencial econômico brasileiro.

“O Brasil é a segunda reserva de terras raras do mundo, e Goiás tem a única indústria produzindo terras raras da América do Sul, que fica em Minaçu, a empresa Serra Verde. Eu até me lembro que, quando era secretário do Meio Ambiente, fui eu quem deu a licença prévia para que eles pudessem instalar essa indústria lá”, afirmou.

Ele avaliou que o avanço da exploração desses minerais deve influenciar diretamente a agenda econômica nacional.

“Essa questão das terras raras e dos minerais críticos é um assunto muito relevante e que vai ocupar a pauta do país nos próximos anos”, disse.

Discussão sobre jornada de trabalho divide opiniões

Ao tratar da proposta de redução da jornada semanal, Vilmar Rocha declarou que o tema precisa ser debatido de forma ampla, considerando impactos econômicos e sociais.

“É uma tendência no mundo a redução do tempo de trabalho das pessoas, mas é claro que tem que haver regulamentação”, comentou.

Na avaliação dele, o momento político não favorece uma discussão aprofundada sobre o assunto.

“Nós estamos em um momento eleitoral e, nesse cenário, não é conveniente debater esse assunto. É preciso um debate prolongado sobre essa questão da redução da jornada de trabalho para entender as repercussões disso no dia a dia das pessoas”, afirmou.

O ex-deputado também criticou o que classificou como motivação eleitoral por trás da proposta.

“Isso foi colocado em debate agora por interesses eleitoreiros. Não se vai resolver nada neste momento e esse é um assunto que deve continuar sendo discutido mais à frente, para saber como fazer isso, se é para fazer e qual será a repercussão na economia e nas relações de trabalho”, declarou.

Vilmar Rocha citou modelos adotados em outros países, especialmente nos Estados Unidos, onde há maior flexibilização nas relações trabalhistas.

“Tem países como os Estados Unidos, entre outros, que adotam o pagamento por hora e não o pagamento mensal. O trabalhador recebe pelas horas trabalhadas. Lá, as relações de trabalho são muito flexíveis”, explicou.

Ele também mencionou diferenças em benefícios e direitos trabalhistas.

“Nos Estados Unidos não existe licença médica como aqui, ela é muito restrita. Não existe, por exemplo, décimo terceiro salário. Então, isso precisa ser estudado para entender qual seria a repercussão na vida econômica, nas empresas e nos próprios trabalhadores”, disse.

Para Vilmar Rocha, qualquer mudança precisa ocorrer de forma gradual.

“Tem que haver um debate sério, responsável, sem viés eleitoreiro. É necessário um processo de implantação gradual e um estudo aprofundado sobre o tema”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de avanço da proposta ainda neste ano, Vilmar Rocha avaliou que o Congresso Nacional deve evitar uma votação definitiva em meio à campanha eleitoral.

“Pode acontecer de algum parlamentar querer colocar isso em pauta para fazer proselitismo, mas acredito que o bom senso vai prevalecer e isso não será aprovado de forma definitiva neste ano”, declarou.

Segundo ele, o calendário eleitoral tende a dificultar o avanço da matéria.

“Daqui a três meses nós já estaremos em plena campanha eleitoral e acredito que o Congresso não vai aprovar isso de forma definitiva neste ano”, afirmou.

Vilmar Rocha avalia cenário político em Goiás

Durante a entrevista, Vilmar Rocha também comentou o cenário político goiano e o início do governo de Daniel Vilela. Ele classificou como tranquila a mudança administrativa ocorrida no Estado.

“Houve uma transição pacífica. Mesmo o vice sendo aliado do governador, sempre que ele assume existe uma transição e, muitas vezes, uma certa tensão. E não houve isso. Foi uma política de continuidade”, comentou.

Vilmar afirmou ainda que não vê mudanças significativas no cenário político estadual até o período das convenções partidárias.

“As convenções vão ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto. Até lá, não acredito em nenhuma mudança mais significativa. Pode haver alguma alteração nas convenções, mas o quadro está relativamente desenhado”, disse.

Possibilidade de segundo turno em Goiás

Na análise do ex-deputado, a disputa pelo Governo de Goiás deverá ter quatro candidaturas competitivas.

“Vamos ter quatro candidaturas: a do Daniel, a do Marconi, a do Wilder e uma candidatura do PT”, afirmou.

Ele acredita que a divisão do eleitorado pode levar a eleição para o segundo turno.

“Mantido esse quadro, acredito que haverá segundo turno e que a eleição para governador só deve terminar no dia 25 de outubro”, comentou.

Vilmar Rocha também apontou quem considera os nomes mais competitivos neste momento.

“Na minha avaliação, hoje, os dois favoritos são Daniel e Marconi”, disse.

Ao comentar a composição das chapas majoritárias, Vilmar Rocha afirmou que pode haver mudanças durante o período das convenções.

“Só na hora H da convenção é que pode haver alguma mudança. Na base aliada, ter quatro candidatos foge da lógica política. O ideal seria ter dois nomes e não quatro”, declarou.

Ele relembrou a própria candidatura ao Senado na eleição passada.

“Foi uma candidatura mais de posicionamento, de marcar presença política. Eu sabia que não tinha viabilidade eleitoral”, afirmou.

O ex-deputado também comentou o cenário nacional e a pré-candidatura do ex-governador Ronaldo Caiado à Presidência da República. Vilmar Rocha considerou positiva a decisão do PSD de lançar um nome próprio ao Palácio do Planalto.

“Um partido grande precisa apresentar uma candidatura à Presidência da República”, afirmou.

Segundo ele, a polarização nacional ainda dificulta o crescimento de alternativas eleitorais.

“O que milhões de brasileiros querem é uma alternativa tanto ao Lula quanto ao bolsonarismo”, declarou.

Críticas à polarização nacional

Durante a entrevista, Vilmar Rocha também comentou o crescimento político de Flávio Bolsonaro e criticou a falta de experiência administrativa do senador.

“O Flávio Bolsonaro não é um candidato preparado para ser presidente do Brasil. A única coisa que se conhece que ele administrou foi uma loja de chocolates no Rio de Janeiro”, disse.

Ele avaliou que o debate eleitoral deve passar por mudanças nos próximos meses.

“A sociedade vai analisar a inconveniência política do Lula continuar na Presidência e também a fragilidade e a inexperiência do Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Vilmar Rocha descartou a possibilidade de desistência de Ronaldo Caiado da disputa presidencial.

“Ele vai até o fim. É um compromisso dele e acredito também que seja um compromisso do partido”, afirmou.

Na avaliação do ex-deputado, o nome de Caiado permanecerá na disputa independentemente do desempenho nas pesquisas.

“Seja com 3%, 10% ou 20%, acredito que ele estará na cédula eleitoral no primeiro turno”, declarou.