Goianésia-O aumento das fraudes virtuais envolvendo programas públicos tem mobilizado autoridades de segurança em todo o país. Aproveitando a busca crescente por renegociação de dívidas e serviços digitais, criminosos passaram a utilizar nomes, símbolos e estruturas semelhantes às de órgãos oficiais para enganar consumidores, coletar dados pessoais e aplicar cobranças indevidas.
Em mais uma edição do quadro “De Olho no Golpe”, o delegado Marco Antônio Maia, titular da Delegacia de Polícia Civil de Barro Alto, alertou sobre uma fraude que utiliza indevidamente o nome do programa Desenrola Brasil para atingir vítimas pela internet. Segundo ele, o próprio Ministério da Fazenda identificou a circulação de páginas falsas relacionadas ao programa federal.
“Eles lançaram o Desenrola, que é um programa de renegociação das dívidas, e os golpistas, aproveitando essa grande procura da população brasileira, criaram um site falso com o perfil do Governo Federal. Eles divulgam links por e-mail, mensagens e redes sociais. A pessoa entra achando que realmente é oficial, coloca o CPF, recebe a informação de que possui dívidas e, na sequência, surge a cobrança de taxas fraudulentas para supostamente limpar o nome em poucos dias”, explicou o delegado.
Marco Antônio Maia esclareceu que o Desenrola Brasil não cobra qualquer valor para adesão ao programa.
“O Desenrola é um programa do Governo Federal, mas a negociação é feita diretamente com o banco ou com a instituição onde a pessoa possui a dívida. O site oficial não cobra taxa nenhuma. Então, qualquer plataforma que solicite pagamento para liberar acesso ao programa ou para renegociar dívida faz parte de um golpe”, afirmou.
Criminosos têm acesso a dados pessoais
Ao comentar sobre o avanço das fraudes digitais, o delegado chamou atenção para a quantidade de informações pessoais obtidas ilegalmente por organizações criminosas especializadas em golpes virtuais.
“Hoje é assustador o tanto de informação que criminosos têm acesso. Em algumas investigações, nós encontramos sistemas ilegais extremamente completos, com endereço, patrimônio, parentes, telefones e históricos financeiros das pessoas. Muitas vezes, o criminoso já sabe praticamente toda a vida da vítima antes mesmo do contato”, relatou.
Mesmo com a circulação ilegal de dados pessoais, Marco Antônio Maia explicou que o principal interesse dos golpistas continua sendo o acesso às contas bancárias e aos sistemas de autenticação utilizados em aplicativos financeiros.
“O que a população jamais pode fornecer são senhas bancárias, códigos de segurança e autenticação de aplicativos. CPF, endereço e telefone infelizmente já circulam em muitos bancos de dados ilegais. O que realmente interessa para o golpista é ter acesso à conta bancária da vítima”, alertou.
Golpes circulam em redes sociais e aplicativos
As fraudes podem chegar às vítimas por diferentes meios digitais, incluindo redes sociais, aplicativos de mensagens, anúncios patrocinados e links enviados por e-mail.
“O golpista expande isso principalmente por Instagram, e-mail, WhatsApp e spam. Muitas vezes, ele deixa o site falso disponível esperando a pessoa pesquisar no Google e clicar no primeiro link sem conferir se realmente é o endereço oficial”, explicou.
O delegado orientou os consumidores a digitarem manualmente os endereços eletrônicos oficiais e priorizarem acessos vinculados ao Gov.br, que conta com sistemas adicionais de autenticação e segurança.
“Hoje, praticamente todos os serviços oficiais possuem mecanismos de segurança, inclusive o Gov.br, como códigos autenticadores e verificação em duas etapas”, ressaltou.
Procedimento simples pode ajudar na identificação
Durante a entrevista, Marco Antônio Maia também comentou uma estratégia utilizada para verificar se determinados ambientes digitais são legítimos ou fraudulentos.
“Se o sistema aceita qualquer autenticação digitada, provavelmente é falso. Já o site verdadeiro identifica imediatamente que o código está incorreto. É uma forma prática de perceber quando há tentativa de fraude”, concluiu.




