Goianésia- Preso na última semana em Goiânia durante operação conjunta das polícias civis de Goiás e de São Paulo, o empresário Adair Meira, de 63 anos, é investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo investigações da Polícia Civil paulista, ele teria utilizado entidades e empresas associadas ao seu nome para movimentar recursos ilícitos.
Apesar das suspeitas, a Fundação Pró-Cerrado, presidida por Meira, mantém contratos ativos com o Governo de Goiás que somam mais de R$ 141,5 milhões. Os acordos foram firmados entre 2021 e 2025, durante a atual gestão estadual, conforme dados disponíveis no Portal da Transparência.
As investigações apontam que o empresário seria um dos principais interlocutores de João Gabriel de Mello Yamawaki, preso em 2024 e apontado pela polícia como operador do banco digital 4TBank, que teria ligação com a facção criminosa. Conversas extraídas de aparelhos celulares apreendidos embasam a suspeita de que empresas e entidades ligadas a Meira eram utilizadas para misturar recursos lícitos e ilícitos.
Além da Fundação Pró-Cerrado, a investigação menciona a Fundação Sagres e a Renapsi, instituições criadas por Meira. Embora ele não ocupe atualmente cargos de presidência nessas entidades, documentos obtidos pela imprensa indicam que o empresário seguia vinculado à administração das organizações nos últimos anos.
A Fundação Pró-Cerrado atua na prestação de serviços terceirizados ao Governo de Goiás, especialmente para a Secretaria da Economia. Entre as funções oferecidas estão atendimento de call center, apoio administrativo e motoristas. Levantamento baseado em dados públicos aponta que a entidade mantém contratos com o Estado desde 2010.
Atualmente, quatro contratos seguem vigentes. Dois acordos assinados em 2021 e outro firmado em 2022 tiveram prazos prorrogados até o segundo semestre deste ano. Já um novo contrato foi celebrado em novembro de 2025, com validade de 12 meses.
Em nota, a defesa de Adair Meira negou qualquer envolvimento dele com organizações criminosas e afirmou que todos os contratos celebrados com o poder público seguiram os trâmites legais. Os advogados também contestaram as acusações de lavagem de dinheiro.
A Fundação Pró-Cerrado declarou que não é alvo de investigação e informou acompanhar o caso. A entidade acrescentou que, por medida de precaução e governança, Adair Meira foi temporariamente afastado de suas funções na instituição.




