Eleitores não associam nomes locais às disputas presidenciais

Goianésia- A poucos meses do início oficial da corrida eleitoral, o cenário político em Goiás ainda é marcado pelo elevado índice de desconhecimento dos eleitores em relação aos principais pré-candidatos ao governo do Estado e ao Senado.

Dados da pesquisa Genial/Quaest mostram que o ex-governador Marconi Perillo é desconhecido por 18% dos entrevistados. No caso do vice-governador Daniel Vilela, o índice de desconhecimento chega a 37%, enquanto o senador Wilder Morais registra 62%.

Outro fator que pode influenciar esse cenário é a limitação das pesquisas domiciliares em alcançar públicos mais ativos nas redes sociais, especialmente os mais jovens. Em entrevista, o doutor em Ciência Política e pesquisador do comportamento político Leandro Rodrigues destacou que a indecisão atinge 84% dos eleitores na modalidade espontânea da pesquisa. Segundo ele, também há uma queda no interesse dos jovens pela política.

“Existe um dado interessante que não aparece diretamente na pesquisa, mas que chama atenção: o engajamento dos adolescentes para tirar o título de eleitor. Segundo levantamento do Tribunal Superior Eleitoral, até abril deste ano cerca de 1,6 milhão de jovens de 16 e 17 anos haviam emitido o documento. Em 2022, no mesmo período, esse número era de aproximadamente 2,1 milhões. Ou seja, houve uma redução de cerca de 500 mil jovens aptos a votar nessa faixa etária.

Além disso, os eleitores ainda não associam os pré-candidatos ao governo de Goiás aos possíveis candidatos à Presidência da República, o que ajuda a explicar os altos índices de indecisão.”

Para o cientista político, o cenário eleitoral goiano ainda não sofreu impacto direto da polarização nacional registrada nos últimos anos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Isso ocorre porque os principais nomes colocados para a disputa estadual estão posicionados em campos ideológicos semelhantes, concentrados entre o centro e a direita.

O especialista também avalia que o quadro permanece aberto, já que mais da metade dos eleitores afirma que ainda pode mudar o voto para governador e senador, indicando espaço para mudanças significativas ao longo da campanha eleitoral.

“A polarização nacional ainda não alcançou de forma direta os candidatos ao governo e ao Senado em Goiás. Em algum momento da campanha, porém, os nomes locais tendem a ser associados a lideranças nacionais, como candidatos ligados a Bolsonaro, Lula ou ao governador Ronaldo Caiado.

Quando essa vinculação ficar mais clara para o eleitor, a tendência é que o nível de desconhecimento diminua e a indecisão também recue ao longo da campanha. Hoje, o cenário ainda está muito indefinido.”

A expectativa é de que o ambiente político em Goiás se torne mais polarizado nos próximos meses, especialmente diante dos altos índices de aprovação do governador Ronaldo Caiado. Segundo analistas, esse fator pode influenciar diretamente o desempenho dos candidatos ligados ao grupo político do atual governo estadual.