Goianésia- Uma das regiões mais valorizadas do turismo ecológico brasileiro está no centro de uma disputa judicial entre Goiás e Tocantins. A área, localizada na Chapada dos Veadeiros, envolve cerca de 129 quilômetros quadrados e inclui atrativos naturais bastante procurados por visitantes, como cachoeiras, trilhas e formações rochosas.
O impasse chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde os dois estados concordaram em suspender temporariamente o processo para a realização de estudos técnicos conjuntos. O prazo definido vai até 22 de junho, quando o caso deverá voltar à análise.
A ação foi protocolada pelo Governo de Goiás em novembro de 2025, por meio da Procuradoria-Geral do Estado de Goiás. O estado sustenta que Tocantins estaria ocupando, de forma irregular, uma área ao norte de Cavalcante, conhecida como Quilombo Kalunga dos Morros. Segundo o governo goiano, além da ocupação, há oferta de serviços públicos por parte de Tocantins à população local.
Entre os pontos citados no processo está a instalação de um portal turístico no chamado Complexo do Prata, com a identificação do território como pertencente ao Tocantins. A região abriga cachoeiras e poços de águas cristalinas que atraem turistas de diferentes partes do país e do exterior.
A origem da disputa pode estar ligada a um possível erro em um mapa elaborado pelo Exército Brasileiro, em 1977. De acordo com Goiás, a Carta Topográfica “São José” teria confundido o Rio da Prata com o Córrego Ouro Fino, o que gerou divergências na delimitação territorial. O Exército, no entanto, nega inconsistências e afirma que não há evidências que justifiquem a revisão do documento.
Durante audiência de conciliação realizada em abril, conduzida pelo ministro Cristiano Zanin, foi definida a criação de um grupo de trabalho técnico com representantes das procuradorias dos dois estados. A proposta é reunir dados cartográficos, históricos e legais para tentar chegar a uma solução consensual.
Enquanto isso, autoridades locais acompanham a situação com preocupação. O prefeito de Cavalcante afirma que a população da área sempre manteve vínculos com Goiás, utilizando serviços públicos do município ao longo dos anos. Já o Governo do Tocantins trabalha na coleta de documentos que comprovem a inclusão da área em seu território.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística reconhece que há lacunas na definição de limites territoriais no país, o que contribui para disputas desse tipo. Segundo o órgão, a Constituição atribui aos próprios estados a responsabilidade pela delimitação político-administrativa.
Além da relevância jurídica, a área em disputa tem forte apelo turístico. O Complexo do Prata reúne cachoeiras como a Rei do Prata, com múltiplas quedas d’água, e a Rainha do Prata, conhecida pelas águas transparentes. Outro destaque é o Vale de Marte, com formações rochosas que lembram paisagens de outro planeta.
A definição sobre a quem pertence o território pode impactar não apenas a administração da região, mas também o desenvolvimento turístico e a vida das comunidades locais. Até lá, a solução dependerá dos estudos técnicos e da possibilidade de acordo entre os dois estados.




