Ex-prefeito de Goianésia aponta cenário indefinido na disputa pelo governo

Goianésia-O cenário político goiano entrou em uma fase de intensas negociações após o encerramento do prazo partidário de 5 de abril. Com as convenções ainda pela frente, lideranças começam a definir estratégias, nomes para chapas proporcionais e possíveis composições majoritárias para a disputa de 2026.

Em entrevista exclusiva à RVC FM, no Fatorama, o ex-prefeito de Goianésia, Helio de Sousa, integrante da executiva estadual do PSDB, afirmou que os partidos passam agora a organizar seus quadros para as eleições.

“Cada partido hoje tem seus trunfos e essa oportunidade de buscar, por meio dos seus filiados, indicações para todos os níveis que serão disputados. E a gente vê que isso afeta diretamente a opinião pública”, disse.

Helio avaliou que o momento exige atenção às movimentações internas e às pesquisas eleitorais.

“Todo mundo quer saber como é que está, qual é o fato real, se as pesquisas traduzem a realidade ou o momento. Então, não tenho dúvida de que é interessante essa busca de definição das pré-candidaturas, principalmente ao governo do Estado”, afirmou.

Nome de Otávio Lage Siqueira Filho é citado

Helio também aventou a possibilidade defendida por lideranças da região do Vale do São Patrício para a chapa de Marconi Perillo.

“Nós, aqui da região do Vale de São Patrício, de Goianésia, do norte do Estado e, principalmente, aqueles que acreditam em pessoas visionárias, sonhamos com a pré-candidatura de Otávio Lage de Siqueira Filho para vice-governador da chapa de Marconi Perillo”, afirmou.

Apesar da manifestação, ele ponderou que o processo ainda está em construção.

“Mas isso são conjecturas. Muita coisa vai acontecer. O que eu entendo é que, de concreto, precisamos analisar hoje a performance de todos os pré-candidatos”, disse.

Esquerda pode influenciar segundo turno

Na avaliação do ex-prefeito, a presença de uma candidatura da esquerda também deve ter peso na eleição estadual.

“Já temos praticamente definido que a esquerda, por meio do PT, terá candidato a governador. Isso tem uma ampla força no cenário político, com partidos que fazem federação e coligação com o PT. Independentemente de quem seja, é uma figurinha carimbada de cerca de 10% dos votos”, declarou.

Para Helio, esse percentual pode interferir diretamente no desfecho da disputa.

“Querendo ou não, é decisivo para provocar um segundo turno em Goiás. Então, é salutar essa presença da esquerda com seus pré-candidatos”, completou.

Críticas ao grupo governista

Helio de Sousa afirmou que a situação política do MDB, mesmo com amplo apoio de prefeitos, não seria tão confortável quanto aparenta. Ele citou possíveis insatisfações entre pré-candidatos a deputado federal.

“Vejo que a questão do MDB, que aparentemente seria confortável, não está tão boa assim, porque há um desentendimento muito grande entre os pré-candidatos a federais, principalmente aqueles que têm mandato”, disse.

Segundo ele, a escolha de nomes ligados a estruturas do governo pode gerar atritos dentro da base.

“Os deputados federais, principalmente aqueles que buscam a reeleição nos grupos que apoiam Daniel Vilela, estão muito contrariados e, provavelmente, podem fazer bandeira dois na campanha”, avaliou.

Apoio de prefeitos entra na análise

O ex-prefeito também relativizou o peso do número de prefeitos no apoio a uma candidatura ao governo do Estado em favor de Daniel Vilela.

“O fato de prefeitos, como é o caso, mais de 200 estarem apoiando são questões que merecem reflexão. José Eliton, em 2018, que era do nosso partido, tinha 180 prefeitos apoiando e ficou em terceiro lugar”, afirmou.

Helio reforçou que o desempenho das administrações municipais pode pesar na avaliação do eleitor.

“Na minha análise, a maioria desses prefeitos, como é o caso atualmente da administração de Goianésia, está sendo muito discutida. A população não está satisfeita. Então, pode ser que seja um tiro pela culatra ou que esse apoio seja decisivo”, declarou.

Marconi Perillo como oposição

Durante a entrevista, Helio colocou Marconi Perillo como principal nome de oposição ao atual governo estadual.

“Marconi é a grande oposição ao governo do Estado. Isso não é segredo para ninguém. Foi ele quem levantou a bandeira para acabar com a taxa do agro, sendo o principal articulador daquele processo”, disse.

Ele também afirmou que o ex-governador tem buscado diálogo com segmentos que, segundo sua avaliação, estariam insatisfeitos.

“Marconi, agora, em análises de pesquisa, se mostra bem. É visto como esperança do servidor público estadual, que está muito penalizado”, afirmou.

Servidores públicos e Ipasgo

Helio apontou críticas sobre a situação do Ipasgo, sistema de assistência à saúde dos servidores estaduais.

“O Ipasgo é responsável pela área de saúde do servidor público. Tem mais de 60 anos, foi criado na década de 60 por Mauro Borges, para que a família do servidor fosse amparada”, explicou.

Segundo ele, mudanças administrativas teriam gerado impacto financeiro aos servidores.

“Por um erro administrativo, em 2023, o governo do Estado decidiu transferir a gestão do Ipasgo para uma organização social. Em dois anos e meio, o sistema entrou em colapso”, afirmou.

Helio relatou que Marconi Perillo assumiu o compromisso de rever esse modelo caso seja eleito.

“Marconi já fez o compromisso. Se eleito, vai retomar a administração do Ipasgo e acabar com essa penalidade tão desagradável, que é pagar por algo que não deveria”, declarou.

Cobrança de aposentados e pensionistas

Outro ponto mencionado por Helio foi a contribuição previdenciária cobrada de aposentados e pensionistas estaduais.

“Em Goiás, o governo atual criou uma alíquota de 14,25%. O aposentado e o pensionista, todo mês, precisam contribuir sobre aquilo que recebem”, disse.

Na avaliação dele, esse tema também deve entrar no debate eleitoral.

“Quem demonstra posição definida sobre o Ipasgo e essas cobranças é Marconi Perillo. Ele está conquistando esses dividendos políticos”, afirmou.

Obras em Goianésia e legado político

Helio também comparou realizações de gestões anteriores com a atual presença do governo estadual em Goianésia.

“Você vê uma cidade como Goianésia, em que o governo do Estado, em mais de sete anos, não tem uma obra concreta iniciada e concluída”, declarou.

Ele citou estruturas e obras que atribui à gestão de Marconi Perillo.

“A Policlínica foi feita e equipada por Marconi Perillo. O Colégio Agrícola também foi construído na gestão dele. As rodovias que ligam Goianésia, Rianápolis, Santa Isabel e Juscelândia, além de grande parte da ligação com a BR-080 até Pirenópolis, foram executadas nesse período”, afirmou.

Para o ex-prefeito, esses pontos devem ser explorados no debate político.

“Essas são marcas que constroem o que chamamos de legado. Marconi Perillo tem um histórico de obras realizadas”, disse.

Polarização com Daniel Vilela

Questionado sobre uma possível disputa polarizada entre Daniel Vilela e Marconi Perillo, Helio afirmou que esse cenário já começa a se desenhar.

“Essa polarização se caracteriza quando Marconi passa a contestar aquilo que não está sendo feito e aquilo que, na avaliação dele, está sendo feito de forma equivocada”, avaliou.

Ele voltou a citar a taxa do agro como exemplo.

“Marconi levantou essa bandeira e aceitou o desafio de defender o produtor rural. E tinha razão. É uma cobrança sobre um setor que já enfrenta alto nível de endividamento”, afirmou.

Nome de José Mário para vice

Sobre a possibilidade de José Mário Schreiner compor chapa com Daniel Vilela, Helio reconheceu a trajetória do possível indicado, mas apontou resistências.

“A gente entende que é uma pessoa com histórico importante na Faeg e em outras entidades. Tem uma trajetória relevante no setor”, disse.

Apesar disso, apontou uma crítica.

“Ele cometeu uma falha ao não defender o produtor rural goiano na questão da taxa do agro. Tinha força política para isso”, afirmou.

Helio acrescentou que a indicação pode gerar questionamentos internos.

“É alguém com méritos, mas também com falhas políticas. Pode até ser vice, mas não necessariamente garante apoio total da base”, avaliou.

PSDB organiza chapas proporcionais

Na parte final da entrevista, Helio comentou nomes que devem compor as chapas do PSDB e da federação em Goiás. Segundo ele, os deputados estaduais Gustavo Sebba, Gugu Nader, José Machado e Clécio Alves devem disputar a reeleição.

Ele também citou nomes para deputado federal e estadual, entre eles Mateus Ribeiro, Flávia Teles, Leonardo Menezes ex-prefeito de Goianésia, Professor Alcides, Gláucia Melo, Itamar Leão, Pastor Jefferson, Professor Zenilton, Ana Elígia, Mariana Costa, Walter Vosgrau, Fabiane Leão, Romário Policarpo, Evandro Magal e Vilmar Mariano.

“A nossa chapa de deputado estadual é muito interessante. A previsão é eleger de sete a oito parlamentares. Para federal, a expectativa é de dois a três. São chapas competitivas”, afirmou.

Pré-candidatura confirmada

Ao ser questionado sobre seu próprio projeto eleitoral, Helio de Sousa confirmou que está como pré-candidato à Assembleia Legislativa de Goiás.

“Entendi que essa é a vontade daqueles que me apoiam. É isso que estou buscando: consolidar essa pré-candidatura”, concluiu.