Leite critica forma de fazer política e defende alternativa ao cenário atual

Goianésia- A definição do nome que representará o Partido Social Democrático (PSD) na disputa presidencial movimentou os bastidores políticos nos últimos dias, em meio a articulações internas e expectativa sobre qual direção estratégica seria adotada pela legenda. A escolha ocorre em um cenário de busca por posicionamento no debate nacional, especialmente diante de um ambiente político marcado por divisões e pela tentativa de construção de alternativas fora dos polos tradicionais.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que realizou seu último ato à frente do governo com a entrega, em Goianésia, no domingo (29), ao visitar a nova sede do Agrocolégio Estadual Maguito Vilela, que leva o nome em homenagem a Ricardo Fontoura, será anunciado como pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, encerrando um período de indefinição que também envolvia o nome de Eduardo Leite, Governador do Rio Grande do Sul. Nos dias que antecederam a decisão, Leite intensificou agendas e articulações, indicando disposição para disputar a indicação interna. Ainda assim, o diretório nacional da sigla confirmou que o anúncio oficial será feito com Caiado, que se deslocou a São Paulo para a coletiva, enquanto Leite optou por permanecer em Porto Alegre e não participar do evento.

Em manifestação publicada nas redes sociais, Eduardo Leite se pronunciou nesta segunda-feira, 30 de março, sobre a decisão partidária e indicou que sua discordância não está centrada no nome escolhido, mas na condução política adotada. “Eu caminho para a eleição presidencial. Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa decisão. Mas isso não significa ausência de convicção”, afirmou.

O governador relatou o apoio que recebeu durante o período de articulação e descreveu a percepção de uma demanda por mudanças no cenário político. “Ao longo dos últimos dias, o que eu vivi foi algo que me marcou profundamente. Eu recebi manifestações de apoio de lideranças políticas, de economistas que ajudaram a construir momentos importantes no Brasil, pessoas da sociedade civil, de cidadãos comuns. E todas essas vozes apontavam na mesma direção. Existe, sim, no Brasil, um desejo forte, talvez ainda silencioso, mas muito real, por mais equilíbrio, por mais sensatez, por mais respeito.”

Na avaliação de Leite, o ambiente político atual tem sido marcado por disputas que dificultam o avanço de soluções. “O Brasil está cansado, muito cansado, de uma disputa que aprisiona o debate entre os extremos. E, com toda franqueza, a decisão tomada pelo partido tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país.”

Ele fez questão de apresentar a linha de pensamento que defende como alternativa. “Eu acredito em outro caminho. Eu acredito em um centro liberal, democrático de verdade, não como uma posição de conveniência, mas como compromisso com a conciliação, com o diálogo, com a construção de soluções reais. Um centro que olha para o futuro, não fica preso aos conflitos do passado.”

Mesmo sem a formalização de sua candidatura, Eduardo Leite indicou que considera o movimento político mais amplo do que a disputa interna. “Mesmo que a gente não tenha uma candidatura formalizada, nós ajudamos a mostrar que existe espaço e, mais do que isso, necessidade de um projeto nacional sólido, responsável e equilibrado.”

Ao final, ele sinalizou continuidade na atuação política e manteve o discurso voltado à construção de alternativas. “A política é dinâmica, e jornadas como essa não se encerram com uma decisão partidária. Essa jornada continua na sociedade, continua nas ideias, continua naquilo que a gente planta. Se não for agora, vai ser logo ali adiante. Mas o Brasil vai, sim, reencontrar o caminho do equilíbrio, vai reencontrar o bom senso, vai recolocar a política no seu devido lugar: o de servir às pessoas, e não o de dividi-las”, pontuou.