Ferramenta é desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Goiás

Goianésia- O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) realizou uma audiência pública para discutir a implementação e as regras de uso do sistema GuaIA, ferramenta desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG). A iniciativa busca monitorar conteúdos divulgados nas redes sociais e identificar possíveis casos de desinformação e uso indevido de inteligência artificial durante o período eleitoral.

De acordo com o desembargador do TRE-GO, Laudo Natel, a plataforma foi concebida como um instrumento de apoio às decisões judiciais e administrativas, sem autonomia para determinar medidas. O objetivo é auxiliar na análise de informações que circulam no ambiente digital.

“A proposta é oferecer suporte ao Judiciário, apontando conteúdos que possam apresentar indícios de desinformação. A ferramenta não toma decisões, mas contribui para a análise dos casos, indicando se determinado material pode ser verdadeiro ou não. A preocupação com a desinformação tem sido constante, especialmente por seus efeitos na formação da opinião do eleitor”, explica.

Segundo o magistrado, a disseminação de conteúdos falsos pode interferir na percepção da realidade e influenciar o comportamento do eleitorado, o que tem motivado o desenvolvimento de mecanismos de monitoramento.

O desembargador também esclarece que, embora a Justiça Eleitoral tenha poder para interromper práticas irregulares, a aplicação de sanções depende da atuação de outros órgãos. “A Justiça Eleitoral pode agir para cessar a divulgação de conteúdos irregulares, mas medidas como aplicação de multas ou cassação de mandato dependem de ações específicas, geralmente conduzidas pelo Ministério Público”, afirma.

Nesta etapa, o sistema ainda está em fase de desenvolvimento e recebe contribuições de instituições como o Ministério Público, entidades representativas e membros da sociedade civil. As regras de funcionamento da plataforma serão submetidas à análise do plenário do TRE-GO.

A previsão é de que, inicialmente, a ferramenta seja utilizada de forma interna pelo tribunal. O acesso do público ocorrerá de maneira indireta, a partir da divulgação de informações relacionadas a conteúdos identificados como potencialmente falsos.