Goianésia - Os consumidores que pretendem preparar receitas típicas das festas juninas precisam redobrar a atenção na hora de abastecer a despensa. Pesquisa divulgada pelo Procon aponta que os preços de alimentos tradicionais da época apresentam variações que chegam a 300% entre os estabelecimentos pesquisados. O levantamento analisou 27 produtos bastante consumidos neste período, como canjica, milho, fubá, milho para pipoca, paçoca, salsicha e batata-doce.
Além das diferenças entre os pontos de venda, fatores climáticos registrados nos últimos anos continuam influenciando o comportamento dos preços. Segundo o economista Matheus Arnaldo, eventos extremos ocorridos em sequência reduziram a oferta de diversos alimentos e pressionaram o custo de produção, refletindo diretamente no bolso do consumidor.
De acordo com Matheus Arnaldo, a inflação dos alimentos observada nos últimos anos tem relação direta com problemas climáticos que afetaram a produção agrícola em diferentes regiões do país. Secas prolongadas, geadas e excesso de chuvas comprometeram diversas lavouras e reduziram a disponibilidade de produtos.
"O principal problema é o climático. Desde 2020, o campo vem enfrentando dificuldades sucessivas. Tivemos uma seca histórica, depois um inverno com geadas intensas que afetaram culturas como cana-de-açúcar, café e outros grãos. Mais recentemente, o excesso de chuvas prejudicou principalmente os hortifrutigranjeiros, o que explica a alta registrada em itens como a batata-doce", explicou.
O economista acrescenta que a previsão de novas geadas durante o inverno pode manter a pressão sobre os preços nos próximos meses, prolongando os efeitos da inflação no setor de alimentos.
Batata-doce e salsicha lideram as maiores diferenças
O levantamento do Procon revelou que a maior diferença entre os estabelecimentos foi registrada na batata-doce, cujo preço apresentou variação de 251%. A salsicha apareceu em seguida, com diferença de 197,42%, sendo encontrada por valores entre R$ 6,99 e R$ 20,79. Já o milho para pipoca registrou variação de 19,61%.
Apesar da predominância de aumentos, dois produtos amplamente utilizados nas festas juninas apresentaram redução de preços em relação ao ano anterior.
Segundo Matheus Arnaldo, o arroz e o leite de coco foram as únicas exceções entre os itens analisados.
"O arroz e o leite de coco registraram queda nos últimos 12 meses. No caso do arroz, a recuperação da produção após o período de seca contribuiu para essa redução, que se aproxima de 9%. No entanto, já observamos um leve aumento nos últimos meses e, caso as condições climáticas voltem a prejudicar a produção, essa queda pode ser revertida nos próximos meses", afirmou.
Quem foi às compras já percebeu que preparar as tradicionais comidas juninas ficou mais caro neste ano. A dona de casa goianesiense Jandira de Almeida relata que a elevação dos preços tem obrigado as famílias a adaptarem o consumo. "Você nunca vem e acha o mesmo preço. Sempre está mais caro. Eu vou ter que comer menos. Não tem jeito", desabafou.
Diante das diferenças identificadas entre os estabelecimentos, o Procon orienta os consumidores a pesquisarem os preços antes de realizar as compras. A recomendação também inclui verificar prazos de validade, condições de armazenamento e a integridade das embalagens.
Caso sejam encontrados produtos vencidos, com preços divergentes ou qualquer outra irregularidade, o consumidor pode registrar denúncia junto ao órgão de defesa do consumidor para que sejam adotadas as medidas cabíveis. A comparação de valores continua sendo a principal estratégia para reduzir os gastos e evitar prejuízos durante o período das festas juninas.




