Custos somariam cerca de R$ 468 mil

Goianésia- Relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria custeado despesas de hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do senador Ciro Nogueira durante uma viagem a Lisboa, em Portugal, realizada em junho de 2024.

As informações constam em documentos obtidos a partir da análise do celular de Vorcaro e foram anexadas a uma investigação conduzida pela PF. O material integra o mesmo inquérito que motivou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra Ciro Nogueira. Hugo Motta não foi alvo de medidas judiciais relacionadas ao caso.

Segundo os investigadores, mensagens encontradas no aparelho do banqueiro mostram conversas com um funcionário responsável por providenciar reservas de hospedagem para a viagem. Nos diálogos, Vorcaro teria solicitado acomodações em Lisboa para ele próprio e para pessoas identificadas como "Ciro" e "Hugo", nomes que a PF atribui ao senador Ciro Nogueira e ao deputado Hugo Motta.

De acordo com o relatório, foram reservadas suítes em um hotel de luxo da capital portuguesa durante o período em que ocorreu um tradicional fórum jurídico promovido anualmente em Lisboa. A Polícia Federal estima que as despesas com hospedagem tenham alcançado aproximadamente R$ 90 mil para cada um dos parlamentares, considerando a cotação do euro na época.

A investigação também identificou outras despesas de viagens atribuídas a Ciro Nogueira. Conforme o documento, gastos relacionados a deslocamentos e estadias em destinos internacionais, como Paris, Nova York e Courchevel, nos Alpes Franceses, somariam cerca de R$ 468 mil. Os investigadores apuram se houve contrapartidas em benefício dos interesses do empresário.

Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou sobre as informações divulgadas. Já Hugo Motta afirmou ter tranquilidade em relação às despesas mencionadas e defendeu que as apurações sejam conduzidas de forma imparcial pelos órgãos responsáveis.

O caso segue sob análise da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal, que avaliam os elementos reunidos durante a investigação.