Alta dos alimentos, combustíveis e despesas básicas segue afetando o poder de compra

Goianésia-O aumento do custo de vida e o avanço do endividamento continuam pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Uma pesquisa da NielsenIQ revelou que quase 75% dos lares no país demonstram preocupação com a própria situação financeira, diante da dificuldade para equilibrar as despesas do dia a dia.

O levantamento Homescan 2025, realizado com mais de oito mil famílias brasileiras, aponta que mais da metade dos entrevistados afirma estar próxima da insolvência. Na prática, isso significa que, mesmo conseguindo manter as contas em dia, muitas famílias veem o orçamento cada vez mais comprometido. Cerca de um quinto da população já enfrenta atrasos em pagamentos ou acumula dívidas.

Para o economista Clóvis Scherer, a combinação entre inflação e perda do poder de compra tem agravado a situação financeira de milhões de brasileiros.

“Temos acompanhado situações muito críticas, como famílias que não conseguem comprar gás de cozinha e voltam a utilizar fogão a lenha para preparar os alimentos. Outras recorrem até mesmo a restos de ossos em açougues para conseguir fazer uma refeição. Isso acontece porque existe uma combinação nefasta entre o aumento dos preços, principalmente dos alimentos, e uma situação de salários estagnados ou que não acompanham a inflação atual”, explicou.

Segundo o economista, mesmo com reajustes anuais do salário mínimo, os aumentos acabam não sendo suficientes para acompanhar a alta contínua dos preços dos produtos essenciais.

Os dados também evidenciam desigualdades regionais. As regiões Norte e Nordeste concentram parte significativa das famílias em situação financeira mais vulnerável, acompanhando os menores índices de renda média registrados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em contrapartida, os melhores indicadores de conforto financeiro aparecem na região Sul, além de áreas de Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro.

A moradora de Goianésia, Alessandra Santos, relata que percebe um aumento das dificuldades financeiras entre muitas famílias e defende maior fiscalização nos programas sociais.

“Tem muita gente passando dificuldade. Às vezes, as pessoas acham que está tudo bem, mas não está. Aqui em Goianésia ainda existem oportunidades de trabalho, mas, nas cidades maiores, a situação é ainda mais complicada. Eu acredito que deveria haver mais fiscalização para garantir que os benefícios cheguem realmente a quem precisa”, afirmou.

Especialistas avaliam que a alta dos combustíveis e o aumento constante do preço de produtos básicos seguem impactando diretamente o orçamento doméstico. Entre março e maio, o diesel acumulou reajuste superior a 15%, enquanto a gasolina também registrou aumentos. O impacto é mais intenso entre famílias de baixa renda, que destinam grande parte da renda para alimentação, transporte e despesas essenciais.