Preços já registram elevação média de cerca de 5%

Goianésia- O período da Quaresma costuma modificar os hábitos alimentares de muitos brasileiros e aquecer o comércio de pescados. Com a redução do consumo de carne vermelha durante esse período religioso, cresce a procura por peixes em supermercados e peixarias. Neste ano, comerciantes projetam aumento de até 50% nas vendas. No entanto, a maior movimentação nas prateleiras pode trazer reflexos no bolso do consumidor.

Em Goianésia, muitas famílias já perceberam a diferença nos preços. A dona de casa Aparecida Vieira relata surpresa ao procurar o produto para preparar as refeições tradicionais desta época. “Eu fui ao supermercado para comprar peixe porque, durante a Quaresma, sigo a tradição de não consumir carne vermelha. Mas, quando vi os preços, não tive coragem de comprar. Achei muito caro. Fiquei triste porque queria levar o peixe para casa, mas não consegui. Agora estou optando por verduras e outras alternativas”, conta.

A Sexta-feira Santa será celebrada neste ano no dia 3 de abril e, até lá, a tendência é de aumento na procura por pescados. Para manter a tradição da data, muitos consumidores terão que lidar com valores mais altos nas gôndolas.

Os preços já registram elevação média de cerca de 5%. A tilápia foi a espécie que apresentou maior variação, ficando aproximadamente 20% mais cara em relação ao ano passado. O filé está sendo vendido, em média, por R$ 53,90 o quilo.

Entre as opções mais acessíveis está o mapará, encontrado por cerca de R$ 19,90 o quilo. Espécies como pintado, dourado, piramutaba, filhote e pirarucu seguem entre as preferidas dos consumidores e tiveram reajuste aproximado de 14% em 2026, conforme levantamento do analista de mercado Sinval Marques.

“Logo após a Quarta-feira de Cinzas já houve aumento em relação ao ano passado. A expectativa era de que os preços se estabilizassem e voltassem a subir próximo da Semana Santa, o que é comum. A tilápia, por exemplo, teve reajuste recentemente por causa do aumento nos custos de produção, como ração e variação do dólar. Já o bacalhau registrou uma alta significativa, entre 30% e 40%”, explica.

Mesmo sendo a proteína mais consumida pelos brasileiros, a carne vermelha vem cedendo espaço para outras alternativas. Entre elas, o pescado tem ampliado participação na dieta da população.

Dados da Associação Brasileira da Piscicultura indicam que o consumo de peixe chegou a 10,5 quilos por pessoa em 2025. O crescimento está relacionado tanto ao aumento no preço de outras proteínas quanto ao interesse crescente por uma alimentação considerada mais leve e equilibrada.