Levantamento reúne dados sobre renda, escolaridade e atuação das mulheres

Goianésia-Goiás conta atualmente com cerca de 374 mil mulheres empreendedoras. A maioria delas tem, em média, 43 anos, apresenta elevado nível de escolaridade e possui participação significativa na renda familiar. Segundo levantamento recente, 53% dessas empresárias são as principais responsáveis pelo sustento de suas casas.

Os dados fazem parte do estudo Mulher Empreendedora 2026 – Coleção Identidade, divulgado pelo Sebrae Goiás. O material traça um panorama do empreendedorismo feminino no estado, reunindo informações sobre perfil das empreendedoras, renda, setores de atuação e os principais desafios enfrentados por mulheres que lideram negócios.

Perfil das empreendedoras goianas

De acordo com a analista do Sebrae, Polyanna Marques, o levantamento contribui para ampliar o conhecimento sobre a realidade dessas empresárias e pode servir como base para o desenvolvimento de políticas públicas e iniciativas de apoio ao público feminino.

“É um material muito rico em termos de dados e informações. Ele ajuda na formatação de produtos e atividades do Sebrae voltadas para esse público, além de contribuir para a construção de políticas públicas e outras ações de apoio às mulheres. O estudo também apresenta histórias de empreendedoras que podem inspirar outras mulheres que desejam iniciar ou fortalecer seus negócios”, afirma.

Renda e desafios no empreendedorismo

No aspecto econômico, o rendimento médio mensal das empreendedoras goianas é de aproximadamente R$ 3.723. Embora tenha ocorrido um crescimento de 44% nos ganhos ao longo da última década, ainda existe diferença de renda entre homens e mulheres no empreendedorismo. Atualmente, empresários do sexo masculino recebem, em média, 35% a mais que as mulheres em atividades semelhantes.

Segundo Polyanna Marques, a formalização do negócio influencia diretamente nesse cenário. Empreendedoras que mantêm seus empreendimentos regularizados podem alcançar rendimentos significativamente maiores em comparação com aquelas que atuam na informalidade.

“Cerca de 46% das mulheres possuem pontos comerciais fixos e 38% trabalham a partir do próprio domicílio. Em relação à formalização, aproximadamente 45% estão com os negócios regularizados. Esse número cresceu em comparação aos anos anteriores, mas ainda há espaço para avançar. Outro dado importante é que 53% dessas mulheres são chefes de família, o que reforça a necessidade de uma renda sustentável para manter seus lares”, explica.

Crescimento dos pequenos negócios

O estudo também revela a dimensão da participação feminina na economia do estado. As mulheres estão à frente de aproximadamente 435 mil empresas ativas em Goiás, o que representa cerca de 44% do total de negócios registrados.

A maior concentração dessas atividades está no setor de serviços, com destaque para áreas como comércio de vestuário, alimentação e cuidados pessoais. Grande parte desses empreendimentos é formada por pequenos negócios, especialmente microempreendedoras individuais (MEI).

Nos últimos seis anos, o número de mulheres registradas como MEI cresceu de forma expressiva, passando de 57 mil para 214 mil. A expansão está associada à busca por autonomia profissional e à possibilidade de maior flexibilidade na rotina de trabalho.

Histórias que inspiram

A empreendedora goianesiense Priscilla Lima compartilha a experiência de quem decidiu investir no próprio negócio e destaca a persistência como fator fundamental nesse processo.

“Eu sempre digo para outras mulheres que têm vontade de empreender ou gostam de trabalhar com vendas para não desistirem. No começo tudo é difícil, mas com dedicação as coisas vão acontecendo. Hoje já consigo ver meu sonho se concretizando, já realizei alguns objetivos e agora quero abrir minha própria loja. Com muito trabalho e fé, acredito que até o final do próximo ano isso será possível”, relata.

Desafios e transformação digital

Apesar do crescimento do empreendedorismo feminino, o estudo também aponta desafios que ainda precisam ser superados. O acesso ao crédito aparece como a principal dificuldade para 39% das empreendedoras entrevistadas.

Outro ponto identificado pelo levantamento é o processo de adaptação ao ambiente digital. Cerca de 75% das empresárias ainda não utilizam ferramentas de inteligência artificial em seus negócios, enquanto aproximadamente 25% afirmam não utilizar nenhum recurso digital na gestão das empresas.