Goianésia- Os recentes conflitos no Oriente Médio colocam o mercado de combustíveis em estado de atenção. Até o momento, os preços nas bombas não apresentam alterações significativas, mas o setor varejista já demonstra preocupação com possíveis impactos. A apreensão está ligada ao Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, rota estratégica por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo, que pode influenciar o preço do barril nas próximas semanas.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo em Goiás (Sindposto-GO), Márcio Andrade, explica que a expectativa de aumento no valor do petróleo tem provocado movimentação antecipada no mercado. Segundo ele, gasolina e diesel podem sentir os efeitos devido à dependência do país de combustíveis importados.
“Quando o preço internacional do barril sobe e a Petrobras mantém valores internos mais baixos, há uma corrida para comprar o produto. Isso pode gerar falta de combustível, impactando tanto os postos quanto a economia do país. Mesmo pequenas movimentações já refletem na demanda e na formação de estoques maiores”, detalha Andrade.
Apesar do cenário de alerta, consumidores nas últimas semanas perceberam redução nos preços, principalmente do etanol. Em Goianésia, o litro do combustível tem sido encontrado entre R$ 3,95 e R$ 4,89. Andrade afirma que a queda se deve à redução de custos e a promoções realizadas pelos postos, que buscam estimular o consumo diante da retração em relação ao mesmo período do ano passado.
“Nos últimos meses, tivemos reduções semanais que somaram cerca de 20 centavos. Alguns postos chegaram a baixar mais de um real, praticamente absorvendo toda a margem bruta. A medida visa reaquecer o mercado, já que as vendas de janeiro e fevereiro caíram cerca de 15% em comparação ao ano passado”, comenta.
O agronegócio goiano também acompanha a instabilidade internacional com atenção. O Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás alerta que o cenário pode elevar custos de produção, transporte e logística, pressionando as margens de lucro dos exportadores. Além do aumento do petróleo, a crise tende a impactar os preços de fertilizantes e do frete internacional.




