O anúncio ocorreu durante a abertura dos trabalhos legislativos na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás

Goianésia- O Governo de Goiás anunciou a extinção do Fundo Estadual de Infraestrutura, o Fundeinfra, criado em dezembro de 2022 para financiar obras de infraestrutura no estado. Com a medida, produtores rurais deixam de recolher contribuições sobre soja, milho, cana-de-açúcar e carne, podendo destinar esses recursos diretamente à produção e a investimentos.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, comentou a decisão e ressaltou o impacto para o setor.

“Estive pessoalmente com o governador várias vezes, mostrando a preocupação com o momento que estamos vivendo. Para se ter uma ideia, o custo de produção da soja hoje está em 55 sacas por hectare, sem o arrendamento. Se considerarmos o arrendamento, isso chega a 70 ou 75 sacas, acima da média estadual. A Expedição Safra estima produtividade de 66 a 67 sacas por hectare. Então, é um momento muito delicado, e essa decisão dá um fôlego ao produtor rural. Isso significa praticamente dois reais por saca, um valor que fará diferença. São 800 milhões de reais que deixam de ser recolhidos e ficarão com os produtores, que poderão liquidar compromissos ou investir em tecnologia”, afirmou Schreiner.

O Fundeinfra era financiado por contribuições com alíquotas entre 0,50% e 1,65%, incidentes sobre a produção de soja, milho, cana-de-açúcar e carne. Segundo o governador Ronaldo Caiado, os investimentos planejados já foram contratados, tornando desnecessária a manutenção do fundo. “Decidimos revogar o Fundeinfra e, ao mesmo tempo, demonstrar que todas as obras já foram contratadas. O fundo atualmente possui R$ 2,3 bilhões em caixa, e todas essas obras já estão em implantação no estado de Goiás”, explicou.

O anúncio ocorreu durante a abertura dos trabalhos legislativos na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás. Na ocasião, Caiado também informou o envio de projeto de lei que prevê anistia de multas aplicadas a 10.109 produtores rurais, cujo montante total ultrapassa R$ 1 bilhão.

A medida representa alívio financeiro para o setor agropecuário goiano, permitindo que produtores redirecionem recursos para custos de produção e melhorias tecnológicas, especialmente em um período de custos elevados e produtividade abaixo da média histórica.