Goianésia- Mesmo diante da estiagem severa que afetou Goiás na safra 2023/2024, muitos produtores têm buscado alternativas para proteger a produtividade. Na região do Cerrado goiano, fazendas que adotam práticas regenerativas conseguiram manter safras de soja com rendimento visivelmente superior às lavouras convencionais. Essas práticas envolvem manejo do solo, cobertura permanente e técnicas que promovem a saúde do solo.
De acordo com Eliana Fontes, pesquisadora da área agrícola, os produtores estão em busca constante de melhores resultados, mesmo diante das dificuldades climáticas. “Todos os agricultores envolvidos estão nesse caminho de conseguir um solo saudável. O solo do bioma Cerrado é desafiador para a agricultura. A pesquisa trouxe tecnologias para melhorar esse solo para a produção agrícola, mas ele tem suas próprias características, e é essa agricultura que tem que lidar com o cotidiano”, explica.
Um estudo da Cargill, divulgado pela Forbes Agro, apontou que talhões submetidos à agricultura regenerativa em Goiás registraram uma média de 69 sacas de soja por hectare nesta safra, enquanto as áreas com cultivo convencional ficaram em 66 sacas por hectare. Em comparação à média estadual, que sofreu fortemente com a seca e registrou 56 sacas por hectare, as propriedades regenerativas se destacaram com aproximadamente 23% mais produtividade.
Letícia Calanami, agrônoma, destaca que os produtores começaram a investir em agricultura regenerativa justamente para minimizar os impactos da seca. “Esses produtores já começaram a implementar essas práticas e precisavam de um respaldo técnico para entender se o que estavam fazendo estava correto, se havia espaço para melhorias e se era economicamente viável. Conseguimos conectar o que eles estavam fazendo com especialistas para expandir esse conhecimento e engajar outros produtores na agricultura regenerativa”, comenta.
O estudo revela uma tendência que pode se tornar regra: a agricultura regenerativa mostra-se mais resiliente ao estresse hídrico. Para Goiás, isso representa uma oportunidade de reduzir perdas em anos secos, aumentar a sustentabilidade das lavouras e incentivar investimentos em técnicas regenerativas.




