Goianésia - A alta no preço do alumínio tem afetado diretamente o bolso dos consumidores e impulsionado uma prática que parecia esquecida: o conserto de panelas. Com os preços dos utensílios domésticos em constante elevação, cada vez mais pessoas estão buscando reparos como forma de economizar. Em Goianésia, o movimento tem sido percebido por comerciantes do setor, que viram a demanda por manutenção crescer de forma expressiva.
Pedro Henrique, comerciante local e dono de uma loja especializada na venda e no conserto de panelas, afirma que o custo elevado do alumínio mudou o comportamento do consumidor. “Ficou mais viável consertar do que comprar uma panela nova. O alumínio subiu demais, teve aumento médio de 30% desde o início do ano”, explica.
De fato, os valores das panelas novas subiram significativamente. Uma panela de pressão, por exemplo, pode custar entre R$ 80 e R$ 120, enquanto o conserto gira em torno de R$ 10 a R$ 30 uma diferença que pesa no orçamento doméstico. Para a dona de casa Zélia Maria, o reaproveitamento é essencial. “Enquanto eu puder, eu reutilizo. Conserto panela de pressão, coloco cabo, compro outra tampa e assim vai”, afirma.
A lógica é a mesma para a aposentada Maria do Carmo, que reforça a praticidade e economia do conserto. “Está mais barato consertar, né? E ele conserta direitinho, fica arrumadinho”.
O aumento na procura por reparos é perceptível não apenas em oficinas, mas também em feiras e mercados, onde o serviço de conserto de panelas voltou a ser comum. A aposentada Lenir Rodrigues confirma que o momento é de cautela e foco no reaproveitamento. “Tem que aproveitar o que tem. O dinheiro está difícil. A gente economiza numa coisa pra comprar outra que está faltando em casa.”
Segundo especialistas, o cenário é resultado de um contexto econômico global. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, os preços dos metais dispararam no mercado internacional. A cotação da tonelada de cobre subiu mais de 11% na Bolsa de Metais de Londres, enquanto o alumínio teve valorização histórica superior a 16%, refletindo diretamente no preço final ao consumidor.




