Goianésia- O acesso à internet móvel tem se expandido no Brasil, inclusive em cidades do interior como Goianésia (GO), onde moradores dependem do sinal para realizar tarefas básicas do dia a dia, como acessar redes sociais, utilizar serviços bancários e participar de atividades educacionais online. No entanto, um levantamento recente aponta uma realidade desigual: quanto menor a renda, maior a dificuldade de se manter conectado.
Segundo uma investigação da Anatel em parceria com o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), 35% das pessoas com renda de até um salário mínimo ficam sem acesso à internet móvel por pelo menos 7 dias ou mais em um mês. Entre os que ganham de 1 a 3 salários mínimos, o percentual é semelhante. Já entre os que recebem mais de 3 salários mínimos, apenas 2,2% relataram interrupções superiores a 15 dias no mês.
O profissional de tecnologia da informação Matheus Mendanha explica que o aumento do número de acessos está diretamente ligado ao comportamento das novas gerações. “A nova geração tem uma facilidade enorme com a tecnologia. Há muito interesse em estar conectado. Um dado da Fundação Getulio Vargas mostra que o Brasil já tem cerca de 242 milhões de smartphones em uso, enquanto a população é de aproximadamente 214 milhões. Isso dá, em média, mais de um celular e meio por pessoa”, comenta.
Apesar do crescimento no número de dispositivos, a qualidade e estabilidade do acesso ainda não são garantidas para todos. Para Mendanha, o papel social da internet vai muito além do entretenimento. “Hoje, com um smartphone na mão, você tem acesso a documentos digitais, serviços públicos, aplicativos bancários e de comunicação. Isso obriga até as gerações mais velhas a se adaptarem, o que aumenta a demanda por uma internet de qualidade e acessível a todos”, afirma.
Em Goiás, cerca de 94% da população com 10 anos ou mais já utilizam a internet, segundo dados recentes, o que demonstra uma ampla adoção. Iniciativas como o programa estadual ‘Goiás + Digital’, que incentiva a instalação de torres de sinal em áreas remotas, visam reduzir a desigualdade digital e ampliar o acesso à conexão estável e contínua para todas as faixas de renda.




