Goianésia- O vício em apostas esportivas tem deixado um rastro crescente de impactos negativos na vida de milhares de brasileiros. Em 2024, o setor movimentou até R$ 21 bilhões mensais, com grande parte dos recursos provenientes de programas sociais como o Bolsa Família. A dependência das apostas tem gerado um aumento no endividamento, além de afetar a saúde mental e as relações familiares, o que tem sido amplamente reportado por especialistas e familiares de apostadores.
A psicóloga clínica Daniele Rodrigues alerta que o vício em apostas pode prejudicar a saúde mental de formas significativas. "O ato de colocar dinheiro em algo tão arriscado ocorre por diversos motivos, sendo os principais a busca por entretenimento e a sensação de poder. O simples ato de apostar, seja com quantias pequenas ou grandes, oferece uma sensação de controle e prazer, liberando substâncias químicas no cérebro relacionadas ao prazer e ao relaxamento. Isso cria um ciclo de busca constante por essa sensação, o que leva ao vício", explica a psicóloga.
Além dos impactos psicológicos, pesquisas de instituições como a PWC e o Instituto Locomotiva apontam que as apostas esportivas já representam uma parcela expressiva dos gastos das classes D e E, com 76% dos seus orçamentos voltados para lazer e cultura, e até 5% destinados à alimentação. Esse desvio de recursos tem gerado um impacto direto no poder de consumo dessas famílias e afetado negativamente o comércio tradicional, que já sente a queda no movimento.
Saulo Castro, morador de Goianésia, destaca que uma regulamentação mais rigorosa poderia ajudar a coibir essa prática. “A regulamentação seria fundamental, assim como o combate às práticas ilegais, tornando a fiscalização mais eficiente e eficaz”, afirma.
O vício em apostas também está gerando efeitos econômicos em todo o País. Com muitas famílias comprometendo parte de sua renda com o vício, setores como o varejo, alimentação e serviços estão sentindo uma queda nas vendas. Além disso, serviços de apoio financeiro e de saúde mental têm registrado um aumento significativo no número de casos associados ao estresse e à compulsão, reflexo do impacto negativo do vício nas finanças e bem-estar das pessoas.




