Soluções mecanizadas são adotadas para contornar a necessidade de safristas e reduzir custos

Goianésia- A colheita do café, tradicionalmente dependente de um grande número de trabalhadores, enfrenta um desafio crescente com a escassez de mão de obra safrista. Esse problema se tornou um dos maiores entraves para os produtores, comprometendo a eficiência da colheita e, consequentemente, a qualidade do grão e da safra seguinte. De acordo com a Pharos Consultoria, a falta de pessoal qualificado é uma das principais dificuldades do setor, e muitos produtores já enfrentam dificuldades para concluir a colheita no tempo ideal.

O agrônomo André Neto aponta as causas dessa carência de mão de obra especializada. "A falta de trabalhadores qualificados para a colheita de café, especialmente na caprinocultura, é muito grande. Em algumas regiões, os produtores chegam a buscar trabalhadores em outros estados, oferecendo alojamento durante a safra", explica.

Em Goiás, uma das respostas para essa escassez tem sido o avanço da mecanização. Estudos apontam que uma colheitadeira pode substituir até 80 pessoas, tornando o processo mais eficiente e reduzindo os custos operacionais. Além disso, a colheita mecanizada pode diminuir o custo total em até 62% em comparação com o método manual, graças à maior produtividade e à eliminação da necessidade de repasses manuais. Para atrair trabalhadores, alguns produtores estão oferecendo alojamento e benefícios adicionais, como frisa Neto.

"Após o término da safra, a maioria dos trabalhadores retorna às suas regiões de origem, enquanto uma minoria consegue uma colocação permanente nas propriedades locais", afirma o agrônomo.

Diante da escassez de mão de obra, os produtores de café em Goiás e em outras regiões do Cerrado têm investido cada vez mais em colhedoras automotrizes e sistemas semimecanizados, buscando garantir uma colheita mais rápida, eficiente e menos dependente de mão de obra sazonal.