Goianésia- Embora o mês de setembro tenha acabado de começar, os brasileiros já precisam se preparar para uma nova elevação nas contas de energia. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) decidiu manter a bandeira vermelha patamar 2, a mais alta do sistema tarifário, que adiciona R$ 7,87 a cada 100 quilowatts-hora consumidos. A principal razão para essa manutenção é o período de seca, com menos chuvas e, consequentemente, uma menor capacidade de geração das hidrelétricas.
Hélio Cândido, engenheiro elétrico, explica o funcionamento das bandeiras tarifárias e como elas refletem diretamente nos custos para o consumidor. "Existem situações ainda mais graves, como a bandeira da crise hídrica. Durante períodos de pouca chuva, os reservatórios ficam vazios, e as hidrelétricas não conseguem gerar energia suficiente. A energia precisa vir de fontes mais caras, como as termelétricas, e isso afeta diretamente o bolso do consumidor", afirma o especialista.
A previsão é de que a bandeira vermelha patamar 2 seja mantida até pelo menos novembro, quando os reservatórios de água do país começam a entrar em curva decrescente. Com isso, há uma maior dependência das termelétricas, que são mais caras, justificando a permanência da tarifa elevada no próximo mês.
Karina Silva, proprietária de um pequeno empreendimento, expressa sua insatisfação com o impacto das tarifas no seu orçamento. “É complicado. Mesmo com pouco consumo, já que passo o dia fora de casa, acabo pagando muito mais pela conta de energia. E quem usa mais, como quem tem ar condicionado, acaba pagando ainda mais. Para quem vive com um salário mínimo, com aluguel, contas de água e alimentação, sobra quase nada no final do mês”, comenta Karina.
Apesar da manutenção da bandeira vermelha patamar 2, existe a possibilidade de um recuo para a bandeira vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Os níveis de armazenamento das hidrelétricas no Sudeste, região responsável por grande parte da geração de energia do país, ainda estão relativamente elevados. Caso esse cenário se mantenha estável, uma redução na tarifa poderia ser implementada nos próximos meses.




