Estudo da CNI aponta que sobretaxas podem gerar perdas bilionárias no PIB

Goianésia- Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que três em cada quatro produtos exportados do Brasil para os Estados Unidos, principal destino da indústria de transformação nacional, estão sujeitos a tarifas adicionais. As medidas são resultado de políticas protecionistas implementadas durante o governo do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que seguem em vigor.

Os setores mais impactados pela combinação de tarifas, que podem chegar a até 50%, incluem vestuário e acessórios, máquinas e equipamentos, produtos têxteis, alimentos, produtos químicos, couro e calçados.

Segundo o economista Constanza Negri, essas barreiras podem gerar prejuízos significativos para a economia brasileira: “Em um cenário de aumento de alíquota de 50% sobre as exportações brasileiras, o impacto no PIB pode chegar a R$ 20 bilhões, com a perda estimada de cerca de 30 mil empregos na indústria”, alerta.

Um dos casos mais preocupantes, de acordo com Negri, é o setor de máquinas e equipamentos. Apesar de alguns itens constarem na lista de isenções, o benefício só se aplica aos produtos destinados à aviação civil.

“Esse é um dos principais setores na pauta de exportações brasileiras para os EUA, mas ainda enfrenta tarifas de até 50%. Vale lembrar que o Brasil já estava sujeito a uma alíquota de 10%, anunciada em abril”, explica o economista.

Para mitigar os prejuízos, a CNI entregou uma lista com oito propostas à equipe econômica do governo federal. Entre elas, destacam-se, linhas de crédito subsidiadas, ampliação do prazo para liquidação de contratos de câmbio, adiamento no pagamento de tributos federais, e a reativação do Programa Seguro-Emprego (PSE).