Goianésia- A recente imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump e com vigência a partir de 1º de agosto, tem provocado forte impacto entre empresários de diversos setores, especialmente nos frigoríficos. Como consequência imediata, algumas empresas já suspenderam as exportações de carne bovina para os Estados Unidos.
Apesar do cenário adverso, o presidente da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), Maurício Velloso, afirma que o Brasil continua competitivo no mercado global. “Essa pressão que vem sendo exercida pela indústria não é totalmente justificável. O mercado americano se tornou mais relevante no início de 2025, com um aumento de 104% nas importações de carne bovina brasileira em relação ao ano anterior. No entanto, mesmo com esse crescimento significativo, os EUA ainda representam uma parcela pequena do total exportado pelo Brasil. Foram cerca de 185 mil toneladas, que podem facilmente ser redistribuídas entre os mais de 160 países compradores da carne bovina brasileira”, explica.
Com a suspensão de parte das exportações para os Estados Unidos, a tendência é de aumento na oferta de carne bovina no mercado interno. Com maior disponibilidade, os preços ao consumidor final podem cair nas próximas semanas. Ainda não há uma estimativa precisa de quanto tempo essa situação pode durar, já que as negociações com o governo americano seguem em andamento e a retomada das vendas pode ocorrer a qualquer momento.
Segundo Maurício Velloso, quem mais deve sentir os efeitos da nova tarifa não é o Brasil, mas sim o consumidor americano. “Nosso mercado de exportação é bastante sólido. Mesmo com uma excelente parceria comercial com os Estados Unidos, ela não é vital. Além disso, os americanos enfrentam o menor rebanho bovino desde 1960, o que torna a carne brasileira, mais barata e abundante, extremamente importante para eles. Ela é usada principalmente na produção de hambúrgueres e almôndegas, ou seja, itens de alto consumo por lá”, destaca.
Para minimizar os efeitos da perda temporária de mercado nos Estados Unidos, o setor já trabalha na abertura de novos destinos para a carne bovina brasileira. A expectativa é manter o ritmo das exportações mesmo diante das incertezas causadas pelo aumento tarifário




